No Texas, o berço do petróleo, o assunto agora é o gás

7 de out, 2026

O mercado de gás natural nos Estados Unidos está tão aquecido que se tornou o tema principal de uma viagem do Bradesco BBI com investidores ao Texas, capital da indústria petrolífera americana.

Se antes era considerado um “patinho feio” por empresas de exploração e produção, focadas no óleo, o gás ganhou nova força com as exportações em sua forma líquida, o GNL, e com a recente explosão da demanda da indústria de tecnologia por energia elétrica.

“O gás natural tem se tornado uma commodity mais globalizada com o GNL. E agora, com inteligência artificial e data center, você gera uma demanda incremental. Essa viagem confirmou de fato nossa teoria – não só nossa – de que o gás está ficando mais importante,” Vicente Falanga, o analista-chefe de óleo e gás do Bradesco BBI, disse nesta entrevista ao Infra Journal.

Ele trouxe na bagagem números do setor que impressionam, como projeções apontando para um crescimento de até 20 bilhões de pés cúbicos (bcf) por dia no consumo dos EUA até 2030.

“É dez vezes a demanda do Brasil inteiro. Então o mercado lá é gigantesco,” disse Falanga. 

Ele contou que a road trip ao Texas foi a terceira promovida pelo BBI e incluiu conversas com dezenas de empresas da indústria de óleo e gás, passando por produtores, fornecedores de equipamentos e consultorias. 

O retrato que emergiu da viagem foi de um mercado que não está somente sedento por gás, como também tem pressa.

Em meio à corrida dos investimentos multibilionários em data centers nos EUA seu enorme uso de energia, desenvolvedores de projetos têm até recorrido a turbinas a gás mais simples que podem ser entregues com velocidade, diante de uma fila de anos para a compra de equipamentos tradicionais.

“A demanda está lá, ela existe. Confirmamos com vários players,” disse Falanga. 

Ele avalia que não vai faltar gás para o mercado americano, mas a infraestrutura de escoamento pode ser um gargalo no curto prazo.

Com isso, há uma tendência de uma oferta mais apertada a partir de 2028 que deverá pressionar para cima os preços.

Esse movimento poderá puxar um rali nas ações de empresas do setor de gás, que ficaram para trás nas recentes ondas de valorização de papéis ligados ao boom da AI.

“Tem uma oportunidade aí de no longo prazo surfar essas ações de produtores de gás natural puros nos EUA. Acho que o cenário para os próximos cinco anos é positivo para essas companhias,” disse Falanga.

Para o Brasil, a lição que fica, segundo ele, é a oportunidade de atrair data centers para aproveitar o esperado crescimento da oferta de gás, tanto doméstico quanto importado.

Além do aumento na produção nacional, o País deverá se beneficiar da proximidade com os EUA e a Argentina – que se tornará uma exportadora a partir do ano que vem, com a produção de Vaca Muerta se transformando em embarques de GNL.

“Temos que aproveitar isso. Temos um diferencial importante que é a energia renovável. Então temos oportunidade de ter data centers e ter esse mix entre renováveis e gás natural,” disse Falanga.

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