24 de set, 2026
O conflito no Oriente Médio aumentou o interesse pelos biocombustíveis, abrindo uma oportunidade única para as empresas do setor e para o Brasil, disse Eder Lopes, o CEO da Inpasa, segunda maior produtora global de etanol e líder no etanol de milho.
“Hoje o mundo inteiro discute como buscar outra alternativa para ter uma segurança energética e não ficar dependente apenas do petróleo. E eles veem essa experiência no Brasil, que já começou há quase cinquenta anos, como de muito sucesso,” disse Lopes nesta entrevista gravada durante o J. Safra Investment Conference 2026.
Além dos impactos da guerra no Irã sobre o mercado de combustíveis devido ao fechamento do Estreito de Hormuz, os ataques da Ucrânia contra refinarias na Rússia reduziram a produção de diesel do país e levaram ao corte de exportações.
A situação gera preocupação entre especialistas com o risco de faltar diesel, ainda mais depois de notícias de que os Estados Unidos estariam avaliando suspender exportações para privilegiar o suprimento interno.
Com esse cenário, diversos países estão olhando para um aumento na mistura de biodiesel ao diesel como uma solução, disse Lopes – a Inpasa já produz o biocombustível no Paraguai para atender ao mercado interno e exportar para a Europa.
“Faz total sentido para o Brasil,” disse o executivo, que vê os veículos no País tecnicamente preparados para um eventual movimento nesse sentido.
Ele também comentou que o setor tem se beneficiado de ventos favoráveis depois da operação Carbono Oculto, da Polícia Federal, e outras medidas de Governo e reguladores contra irregularidades no mercado de combustíveis.
“Isso reflete positivamente em toda a cadeia. Acho que o melhor reflexo é para o consumidor, porque ele não tinha conhecimento algum do que estava colocando dentro do seu veículo. Quando você regulariza essa situação que estávamos vivendo, você também traz mais controle sobre o que está indo para o tanque.”
A Inpasa, que começou sua trajetória no Paraguai e depois colocou o Brasil no foco de sua expansão, deve registrar um faturamento de cerca de R$ 24 bilhões neste ano e R$ 28 bilhões em 2026, segundo o CEO.
Com os negócios em crescimento e atingindo essa proporção, os controladores veem espaço para uma potencial abertura de capital adiante, mas a visão do grupo é conservadora, e ainda não há qualquer decisão nesse sentido. “Essa janela pode surgir num futuro,” disse Lopes.