23 de set, 2026
Após a aprovação do Redata, o Brasil deveria avançar logo com a discussão sobre incentivos estaduais a data centers para ver os investimentos deslancharem de vez e aproveitar o momento de saturação no mercado americano, disse Marcos Peigo, o CEO da Scala Data Centers.
Peigo avaliou que as longas discussões políticas sobre os benefícios fiscais do Redata, que consumiram quase dois anos desde que o projeto surgiu, fizeram o País perder uma primeira janela para capturar negócios em infraestrutura digital, e agora é preciso correr para não desperdiçar uma “segunda onda.”
Hoje há 650 megawatts em data centers em território nacional processando dados domésticos, um mercado que pode alcançar 3 GW em uma década. Já é significativo, mas se o País conseguir virar um hub de exportação de capacidade, atendendo Estados Unidos e Europa, esse número poderia chegar a entre 13 GW e 15 GW, na avaliação da Scala.
“Aí estamos falando de um investimento que pode beliscar US$ 1 trilhão em dez anos no Brasil,” Peigo disse nesta entrevista gravada durante o J. Safra Investment Conference 2026.
Segundo ele, o Redata “coloca a gente na mesa, mas não coloca a comida no prato”, e agora é preciso que o Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) autorize os incentivos estaduais. Enquanto isso, o Paraguai “fez a lição de casa” e já está atraindo projetos, inclusive com a energia competitiva de Itaipu.
“Ouso dizer que se não aprovarmos no Confaz este ano, o Paraguai bate 1 GW em data centers antes do Brasil,” disse Peigo.