ROUNDTABLE: A ciência da longevidade

12 de ago, 2026

O Brasil envelheceu rápido — rápido demais para que seus sistemas de saúde, cidades e mercado de trabalho conseguissem acompanhar. A população idosa dobrou em apenas 25 anos, e a inversão da pirâmide etária, antes projetada para um futuro distante, já deve acontecer por volta de 2030.

Mas envelhecer não significa necessariamente perder autonomia. “75% da população idosa brasileira está muito bem, obrigada. Ela é independente, autônoma, vive bem”, diz Yeda Duarte, professora da Universidade de São Paulo e coordenadora-geral do Estudo SABE — Saúde, Bem-Estar e Envelhecimento —, que acompanha idosos na cidade de São Paulo há duas décadas. Para os outros 25%, diz ela, é preciso colocar em prática políticas públicas de cuidados de longa duração.

Estudos com centenários brasileiros também ajudam a desmontar a ideia de que envelhecer é sinônimo de fragilidade. O Brasil é um país altamente miscigenado, e os pesquisadores investigam se essa diversidade genética ajuda a explicar a longevidade e a resistência a adversidades. 

Depois dos 90 anos, diz Mateus Vidigal, pesquisador do Centro de Estudos do Genoma Humano, genética e ambiente passam a ter pesos praticamente iguais na longevidade saudável — 50% cada.

Isso não significa, porém, que o destino esteja escrito no DNA. Atividade física, sono, alimentação, relações sociais e propósito também são determinantes. E, para Yeda, a própria ideia de “ficar velho” precisa mudar: “Eu não fico velho aos 60 anos. Eu levo 60 anos para ficar velho.”

Para Leonardo Vedolin, vice-presidente médico da Dasa, genômica, inteligência artificial e biomarcadores terão papel crescente na medicina da longevidade. “A tecnologia pode ampliar o acesso, reduzir custos e permitir diagnósticos mais precoces, mas não substitui a necessidade de repensar os sistemas de saúde público e privado diante dos desafios do envelhecimento.”

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