Copel quer usar hidrelétricas como baterias, e levará projetos ao Governo

24 de set, 2026

Enquanto diversos grupos do setor elétrico se preparam para um leilão de projetos de armazenamento de energia com baterias agendado pelo Governo para dezembro, a Copel decidiu colocar suas fichas numa aposta diferente: as chamadas hidrelétricas reversíveis.

Essas usinas, com dois reservatórios, podem guardar água para produzir nos momentos mais necessários para o sistema, funcionando na prática como uma bateria – porém com capacidade para entregar energia por períodos muito mais longos.  

“No mundo hoje já existem 190 GW de potência de usinas reversíveis contra 120 GW de BESS, ou baterias,” o CEO Daniel Slaviero disse nesta entrevista gravada durante o J. Safra Investment Conference 2026.

Segundo ele, a companhia trabalha hoje em projetos que somam 4 GW em capacidade e devem ser apresentados até o final do ano numa chamada pública aberta pela estatal Empresa de Pesquisa Energética (EPE) em busca de empreendimentos com a tecnologia. 

“Meu sentimento é que a Copel vai estar na vanguarda nesse assunto,” disse Slaviero.

Ele defendeu que o Governo permita que as usinas reversíveis possam disputar os próximos leilões de capacidade, argumentando que elas podem entregar energia à rede por vinte horas, contra quatro horas das baterias.

“Além disso, as reversíveis reforçam uma característica natural do País, que é a força e contribuição das hidrelétricas para o sistema elétrico,” disse Slaviero.

A China é hoje a líder em hidrelétricas reversíveis no mundo.

Em paralelo, a Copel também está pronta para disputar o próximo leilão de capacidade com ao menos um projeto, de 1 GW, para ampliação de sua usina Salto Caxias, disse o CEO. 

No leilão deste ano, a companhia foi uma das principais vencedoras, conseguindo contratos para expansão das hidrelétricas de Foz do Areia e Segredo com 2 GW adicionais – um investimento de R$ 5 bilhões.

Para o CEO da Copel, o setor elétrico e seus leilões são um modelo de sucesso, mas o próximo Governo precisará fazer ajustes na regulamentação, seja quem for o vencedor das eleições. 

Entre os problemas mais graves a serem enfrentados estão o peso dos subsídios e encargos nas tarifas de energia e distorções nos sinais de preço da energia, além do crescimento desordenado da geração distribuída (as placas solares em telhados), disse Slaviero.

“Chegou num ponto de inflexão, e temos uma janela, na nossa visão, que são os próximos dois anos, para pensar e preparar os próximos dez, quinze anos.”

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