Um consórcio formado pela Nova Infra Invest, da Novonor, a gestora Galapagos Capital e a construtora portuguesa Mota-Engil venceu hoje o leilão da Rota dos Sertões, marcando a volta da ex-Odebrecht às concessões de infraestrutura no País.  

O chamado Consórcio 116 Sertões, no qual cada empresa tem um terço de participação, superou nos lances viva-voz a concorrência de um grupo formado pela gestora Ivy Capital e pelo fundo Infra Brasil.

Também participou da licitação um consórcio formado pela Aspen Participações e pela DMDL.

Os vencedores ofereceram desconto de 19,6% na tarifa de pedágio para arrematar a concessão, com investimentos estimados em R$ 4,1 bilhões ao longo dos 30 anos de contrato, que contempla trechos da BR-116 e da BR-324, na Bahia e em Pernambuco. 

A Nova Infra Invest, veículo da Novonor para Infraestrutura, tem concessões no Panamá e no Peru, e agora conquistou sua primeira no Brasil. E a intenção é seguir olhando oportunidades, disse o diretor superintendente André Rabello ao Brazil Journal.

“A ideia é que através dessa concessão possamos alavancar outras, não só na área de transportes, como também em saneamento e outros projetos especiais, incluindo M&As.”

Rabello disse que a companhia já avalia um pipeline de potenciais negócios, de olho em empreendimentos “que demandam uma engenharia complexa.” 

Para participar nos leilões, a Nova Infra Invest tem inclusive memorandos de entendimento assinados com diferentes parceiros, segundo o executivo. 

A companhia da Novonor opera mais de 1.700 km de estradas no Peru e Panamá, e tem também duas concessões no Peru para abastecimento de água para irrigação.

Já a Galapagos Capital, que havia participado de outros leilões de rodovias, e chegou a vencer a Rota da Celulose, mas depois teve seu consórcio inabilitado, também conquistou nesse certame aquela que deve ser sua primeira concessão no setor. 

“Acho que escolhemos dois sócios bons, com muita experiência na engenharia,” disse Thomas Averbuck, sócio da gestora, ao Brazil Journal.

Após o leilão, representantes do Governo e do BNDES comemoraram o resultado, que segundo eles representou a entrada de um novo player no setor – embora talvez não tão novo. 

No caso da Novonor, o grupo chegou a operar em diversas concessões em sua “encarnação passada”, antes de ver seus negócios impactados pela Operação Lava Jato e depois por uma recuperação judicial: desde o aeroporto do Galeão até em rodovias e metrô.

Rabello disse que a Nova Infra Invest é “uma empresa 100% nova”, que segundo ele conta com capacidade e parceiros financeiros para essa nova fase no setor, além de experiência.

“Ela tem um currículo eu diria para você invejável em investimentos em infraestrutura no Brasil e no exterior, na América Latina.”