A POSCO — a gigante coreana da siderurgia — fez uma parceria estratégica com a australiana Meteoric Resources visando garantir acesso a uma parcela da produção futura de um projeto de terras raras em Minas Gerais.
O acordo mostra como o potencial brasileiro em terras raras está despertando interesse pelo mundo, à medida que diversos países buscam reduzir a dependência da China nessas matérias-primas estratégicas, utilizadas em indústrias que vão de carros elétricos a turbinas eólicas.
O Governo americano já assinou um contrato de offtake com a Serra Verde, uma pioneira do setor com uma mina em Goiás que foi adquirida pela USA Rare Earths numa transação de US$ 2,8 bilhões, e empresas australianas como Viridis Mining e Oceana estão investindo em operações no País.
Agora, a POSCO está mirando garantir até 30% da produção do projeto Caldeira, em Poços de Caldas, por até sete anos. A Meteoric, listada na bolsa australiana, tem 77 licenças e 193 km² de terras para explorar reservas na região, nas quais estima 1,5 bilhão de toneladas em recursos minerais de alto teor.
A área abriga depósitos de argila iônica com terras raras, mesmo tipo de reservas encontradas pela Serra Verde, que podem ser exploradas a céu aberto, com menores custos.
O memorando entre Meteoric e POSCO prevê que o grupo coreano poderá apoiar o financiamento do projeto, incluindo por meio de um potencial investimento em equity e viabilizando empréstimos de agências coreanas como o Banco de Exportações e Importações (KEXIM) e a Korea Trade Insurance Corporation.
O memorando é não-vinculante, e dará início a negociações comerciais e due diligence para um eventual acordo de longo prazo, que dependerá ainda do avanço do projeto.
A Meteoric disse que o estudo de viabilidade ambiental de sua mina deverá estar pronto neste ano, e uma decisão final sobre o investimento é esperada em 2027.
Os australianos e coreanos, porém, precisarão acompanhar atentamente a tramitação, no Congresso, da regulamentação proposta para a indústria nacional de minerais críticos, incluindo as terras raras.
O projeto aprovado pela Câmara, que está no Senado, prevê que um Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos precisará homologar contratos, acordos ou parcerias internacionais de fornecimento no setor “que possam afetar a segurança econômica ou geopolítica do País.”
Esse Conselho será composto por até 15 representantes de órgãos do Poder Executivo, além de membros de Estados e municípios, e deverá também homologar mudanças de controle acionário e reorganizações societárias de empresas que atuam na mineração desses materiais.
O texto está gerando preocupações no setor privado de que o Governo possa limitar contratos de mera exportação de terras raras para tentar forçar investimentos em uma indústria local de refino e processamento dos materiais.
Quando a matéria chegou ao Senado, o presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional, Nelsinho Trad, disse à Agência Senado que o Brasil precisa parar de exportar apenas minério bruto, e que “isso não é fechar mercado, nem espantar investidor.”
Já o senador Marcos Rogério disse que é preciso cautela na análise da regulamentação. “Não pode errar na dose. Se o texto criar burocracia, controle excessivo ou insegurança jurídica, vamos trocar uma grande oportunidade por mais um entrave ao desenvolvimento.”











