O Grupo Mover, a antiga Camargo Corrêa, assinou um acordo para vender toda sua participação de 14,86% na Motiva ao Bradesco BBI, marcando sua saída da empresa de concessões que fundou no final dos anos 1990.
A transação foi concretizada após os demais membros do bloco de controle da Motiva – Soares Penido, Itaúsa e Votorantim – decidirem não exercer seu direito de preferência pelas ações do acordo de acionistas.
A entrada do Bradesco BBI no quadro societário vem após uma longa disputa com a Mover envolvendo empréstimos do banco que tinham as ações da ex-CCR como garantia.
Fundada em 1999 por Camargo Correa, Andrade Gutierrez e o Grupo Soares Penido, da Serveng, que uniram suas concessionárias em uma nova holding para criar a CCR, a empresa acabou mais tarde golpeada pelos impactos da Operação Lava Jato sobre dois de suas acionistas, que entraram em recuperação judicial e extrajudicial.
A Andrade Gutierrez deixou a operação em 2022, vendendo sua fatia de 14,86% para a Itaúsa e a Votorantim por R$ 4,1 bilhões, ou R$ 13,75 por ação.
Agora, a saída da Mover “marca um importante evento de governança para a Motiva”, disseram os analistas do BTG, que viram a notícia como positiva por representar “a resolução de um histórico overhang” sobre a ação da companhia.
A equipe do Santander, por outro lado, entendeu o movimento como “levemente negativo”, avaliando que a transação “não elimina o overhang” devido à possibilidade de que o Bradesco BBI venha a vender sua fatia na empresa.
Como o Bradesco não é um player de infraestrutura, a conclusão parece óbvia, e é compartilhada pelo time do BTG, que cita o banco como um provável “middleman” que poderia buscar em breve um novo comprador para o ativo.
Os analistas não descartam que a fatia seja oferecida aos próprios controladores atuais da Motiva, que não exerceram sua preferência agora mas eventualmente poderiam fazê-lo mais à frente.
Para a Motiva, que deixou para trás o nome CCR em 2025, o negócio do Grupo Mover com o Bradesco BBI (cujo valor não foi revelado) vira mais uma página, mas ainda não encerra as incertezas sobre como se consolidarão sua governança e o quadro de acionistas.
A ação da companhia caiu 3,6% no pregão de hoje, a R$ 14,16.
A Motiva vale cerca de R$ 60,5 bilhões na B3. As ações sobem cerca de 50% desde o início do ano.











