A Matrix Energia, controlada pela Prisma Capital e a  ítalo-suíça Duferco, contratou a Alvarez & Marsal para apoiar sua reestruturação, e não para trabalhar num pedido de recuperação judicial, Wilson Ferreira Jr, o CEO da companhia, disse ao Brazil Journal, após notícias na imprensa sobre uma potencial RJ.

“Isso não procede de maneira nenhuma. Os acionistas, em aumentos de capital, colocaram em janeiro e fevereiro R$ 200 milhões na Matrix. Nós levantamos dinheiro vendendo uma usina de geração centralizada. Não tem motivo para uma RJ,” disse Ferreira.

A Matrix é uma das maiores comercializadoras de energia do País, atuando também em trading de gás, geração distribuída de energia (GD) e sistemas de armazenamento com baterias (BESS).

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As especulações sobre a situação financeira da companhia ganharam força após a quebra recente de diversas comercializadoras de energia e dificuldades financeiras da Thopen, uma das líderes entre plataformas de GD, que obteve proteção judicial contra credores na semana passada.

“Há um ruído porque as comercializadoras como um todo estão sofrendo com a falta de operações de trading. Mas nós operamos eletricidade e gás, e temos os ativos de BESS,” disse Ferreira sobre a Matrix.

Na GD, a empresa havia vendido suas usinas à Thopen, mas uma parte dos ativos foi devolvida após a compradora não conseguir oferecer garantias. A Matrix agora está estruturando um processo para vender novamente esses projetos. 

A companhia também acaba de obter um financiamento adicional com a Finep, segundo Ferreira – um veterano do setor de energia que já foi CEO de gigantes como Eletrobras, Vibra e CPFL. 

O mercado de eletricidade tem sofrido com baixa liquidez após uma disparada de preços no começo do ano e problemas financeiros de diversas tradings do setor, que levaram muitas das grandes empresas de eletricidade a segurar vendas de energia e restringir as transações com comercializadoras independentes. 

Além disso, uma mudança na metodologia de cálculo dos preços de curto prazo de energia no ano passado aumentou a tendência de preços maiores e voláteis, o que junto com a baixa liquidez acabou tornando bem mais complexa– e arriscada – a operação das comercializadoras. 

Já no segmento de GD, que cresceu rapidamente nos últimos anos, as empresas que investiram para criar grandes plataformas de venda de energia por assinatura enfrentam dificuldades devido a um excesso de concorrência no setor, que aumentou o churn de contratos e a vacância de suas mini-usinas.

Em meio ao cenário mais desafiador e ao atraso no leilão de baterias prometido pelo Governo para dezembro, a Matrix iniciou uma reestruturação, que envolveu a redução do quadro de funcionários de 500 para 340 pessoas e a mudança de dois prédios na Faria Lima para um na Berrini.

“Nós estamos com projetos prontos para o leilão de  baterias, inscrevemos quatro projetos muito bons. Estamos importando gás da Bolívia. Tivemos um gap de caixa, vendemos coisas que eu não queria vender – com direito de recompra. Mas estamos fazendo tudo do jeito que eu gosto, direitinho,” disse Ferreira.