Jornalista, escritora e fotógrafa, Cora Rónai é uma pessoa cercada por livros — e movida pela curiosidade. Diretamente de sua casa, Cora é a convidada deste episódio de The Business of Life, apresentado por Nilton Bonder.

Neta de um livreiro, Cora é filha do filólogo húngaro Paulo Rónai que, nos anos 1930, já traduzia poetas brasileiros para sua língua natal. A escolha pelo idioma o aproximou de escritores brasileiros — e acabou salvando sua vida durante o nazismo.

A profissão surgiu quase por acaso. Recém-casada, mudou-se para a capital e descobriu que o recém-criado Jornal de Brasília procurava fotógrafos. Pouco depois, no Correio Braziliense, ganhou um segundo caderno inteiro para editar, mesmo com cerca de 20 anos. Seu estilo nasceu sem manuais.

Pioneira ao fundar, em 2001, o primeiro blog de uma jornalista no País, Cora começou a cobrir tecnologia em 1987. Ela não crê que a AI seja um apocalipse — inclusive, usa a ferramenta para checar datas, cortar repetições, testar caminhos e substituir “aquela conversa do cafezinho” onde as ideias amadurecem. 

Contudo, faz uma distinção fundamental: uma coisa é escrever com inteligência artificial, a partir de uma ideia; outra é escrever por inteligência artificial. “Quando você escreve com, você está usando uma ferramenta poderosíssima; quando escreve por, abre mão do seu estilo,” diz. “A inteligência artificial escreve, mas não apura,” diz.

No fim, Bonder pede uma mensagem para quem está no início de sua trajetória. Cora volta ao ponto que atravessa toda a sua vida: a curiosidade. “É o motor mais potente do engenho humano. Sem curiosidade, a gente não teria chegado aqui,” diz.

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