BELO HORIZONTE – O potencial do Brasil para produção de biometano gerou um projeto bilionário em Minas Gerais que está despertando interesse desde a Faria Lima até Londres e Tóquio.

A Gasmig, a subsidiária de gás da Cemig, lançou uma chamada pública para investir até R$ 1 bilhão no fomento a negócios com o gás natural renovável, e o processo engajou players locais e internacionais, evidenciando o forte aquecimento do setor.

Entre os 11 grupos que enviaram propostas a Belo Horizonte estão a BP, a gigante inglesa do petróleo, e a japonesa Mitsui, por meio da GeoMit, sua joint venture  com a paranaense Geo.

Também participaram a Solví, a empresa de gestão de resíduos candidata a um IPO; a Bioo, uma investida da BNDESPar e da EB Capital, de Duda Melzer e Pedro Parente; e a Regera, que recebeu aportes da Riza Asset Management e da Shift Capital.06 10 Gustado De Marchi ok

Além desses grupos, também participam da chamada pública a Logás, recentemente adquirida pela J&F Investimentos, dos irmãos Batista; e a Gás Verde, uma das líderes do mercado nacional de biometano.

A Gasmig agora vai iniciar negociações diretas com as proponentes para a compra do biometano produzido por elas, além de fazer investimentos para conectar as plantas produtoras à rede de distribuição de gás.

O objetivo da companhia é comprar até 250 mil metros cúbicos/dia do combustível, com entrega na região do Triângulo Mineiro – o transporte poderá ser feito por caminhões enquanto a Gasmig constrói as redes.

Para dar uma dimensão das proporções da chamada pública que está na praça: o Brasil tem hoje 1,2 milhão de m³/dia em capacidade de produção desse gás renovável em operação.

“Acreditamos muito no biometano. Fazendo um paralelo com o setor elétrico, creio que ele vai ser a geração distribuída do setor de gás,” Gustavo De Marchi, o CEO da Gasmig, disse ao Brazil Journal.

A indústria de geração distribuída, com produção descentralizada de energia em miniusinas e paineis solares em telhados, se popularizou enormemente no Brasil nos últimos anos: já são mais de 4,4 milhões de instalações espalhadas por 5,5 mil municípios. 

Mas essa expansão acelerada foi ancorada por subsídios que agora se tornaram um problema, pesando sobre as tarifas de energia, enquanto o excesso de geração descentralizada também criou um desafio para a operação do sistema elétrico. 

Para De Marchi, o biometano é um negócio rentável e que pode crescer “com os incentivos corretos”, como a facilitação do licenciamento e regulamentações, ao invés de subsídios sem data para acabar.

“Não podemos cometer os mesmos erros que ocorreram com a geração distribuída, temos que aprender a lição.” 

Segundo ele, a Gasmig está buscando consumidores-âncora para o biometano que será contratado, e já está conversando com empresas como a CBMM, a produtora de nióbio dos Moreira Salles.

O biometano também já foi alvo de um edital para potenciais parcerias lançado pela Petrobras, além de ter sido incluído na Lei Combustível do Futuro, de 2024, que cria mandatos para a compra desse “gás verde”.