James Murdoch – o filho pródigo de Rupert – acaba de comprar diversas marcas do conglomerado de notícias Vox Media por mais de US$ 300 milhões, segundo o New York Times.
O negócio inclui a New York Magazine, o site de notícias Vox e a rede de podcasts da empresa, uma vertical com mais de 50 programas que se tornou um dos principais motores financeiros do grupo e faturou US$ 80 milhões no ano passado.
O CEO da Vox Media, Jim Bankoff, continuará no cargo, e a Vox passará a atuar sob o guarda-chuva da Lupa Systems, o veículo de investimentos de James.
As publicações não envolvidas no deal – como Eater (gastronomia), SB Nation (esportes) e The Verge (tecnologia) – formarão uma nova empresa, ainda sem nome, que será liderada por Ryan Pauley, o atual chief revenue officer da Vox.
A Vox Media começou a ouvir propostas por seus ativos no ano passado, em um momento em que o mercado publicitário patina e em que os motores de busca foram severamente impactados pela AI.
Bankoff chegou a negociar ativos da Vox com empresas como o Versant Media Group, o recente spinoff da Comcast que agora controla a CNBC, USA Network e E! Entertainment, mas a oferta de Murdoch foi superior, disse o NYT.
A venda, que deve ser fechada em até seis semanas, marca o fim de um ciclo para as empresas digitais de mídia, que encantaram o mercado americano na década passada mas depois viram seu valor implodir.
A Vice – conhecida por suas matérias irreverentes de comportamento – faliu. O controle do Buzzfeed foi vendido por US$ 120 milhões depois da startup valer quase US$ 2 bi; e agora a Vox também troca de mãos por um valor amplamente inferior ao seu pico de valuation, que alcançou US$ 1 bi em 2015.
O primeiro rascunho da Vox surgiu em 2003 com o blog esportivo Athletics Nation, criado por Tyler Bleszinski. O site ganhou popularidade rapidamente e foi rebatizado de SB Nation dois anos depois, tornando-se uma rede de blogs.
Bankoff, então um executivo da AOL, foi contratado em 2008 para alavancar o crescimento da empresa e não parou de comprar e criar veículos até 2020.
O nome Vox Media foi cunhado em 2011, quando a empresa criou o site de tecnologia The Verge. Depois veio o lançamento do Vox.com, em 2014, e a compra da New York em 2019 por US$ 105 milhões.
Curiosamente, o anúncio de hoje indica uma volta da icônica revista às mãos de um Murdoch. O velho Rupert – do qual James não é exatamente o filho favorito – controlou a publicação entre 1977 e 1991.
James chegou a ser CEO da 21st Century Fox, mas saiu da empresa em 2019 – e também do conselho da News Corp. no ano seguinte – por discordâncias editoriais com seu pai e o irmão mais velho, Lachlan.
A “negação contínua” das mudanças climáticas em alguns veículos da empresa foi um dos fatores que pesou para a decisão, disse o NY Times.
Desde então, James passou por uma disputa judicial com o pai, recebeu US$ 1,1 bilhão para abrir mão de suas participações nas empresas da família e começou a criar seu próprio grupo de mídia.
A Lupa Systems hoje controla a Tribeca Enterprises, a dona do festival de cinema homônimo, e o MCH Group, que administra a Art Basel. Tem ainda participação na
Bodhi Tree Systems, um veículo de investimento focado no mercado de mídia indiano.
Com sua mulher, Kathryn, James também investiu nos sites de notícias Bulwark, cujo público-alvo são opositores ao Governo Trump, e The 19th, focado em gênero e política.
Ao NTY, James afirmou que não está deliberadamente tentando seguir um caminho diferente do de Rupert, e sim “tentando construir um grande negócio”.
Ele diz não querer, no entanto, fazer jornalismo diário, e sim um “jornalismo mais aprofundado e reflexivo que realmente dialogue com a cultura”.











