A Engie anunciou uma oferta de R$ 8,3 bilhões em novas ações para financiar a aquisição dos 40% de sua matriz francesa na hidrelétrica de Jirau, avaliar outros potenciais negócios e desalavancar seu balanço.
No centro da transação: a Engie Brasil Participações, que tem 68,7% da Engie Brasil Energia – a empresa listada na B3 – vai subscrever a oferta contribuindo suas ações em Jirau, que estão sendo avaliadas em R$ 5,7 bilhões.
O mercado deve contribuir os R$ 2,6 bilhões restantes em dinheiro, uma fonte próxima à Engie disse ao Brazil Journal.
Como resultado do aumento de capital, a Engie também espera reduzir sua dívida. A empresa sempre teve um endividamento ao redor de 2,5x EBITDA, mas hoje opera ao redor de 3,5x.
Além de absorver Jirau – uma hidrelétrica de 3.750 MW no Rio Madeira, em Rondônia – a Engie disse que o follow-on pretende captar recursos “para fazer frente a seus compromissos financeiros existentes e previsão de investimentos para desenvolvimento de projetos e novas oportunidades.”
Em abril, a Engie se comprometeu a pagar nos próximos meses R$ 2,4 bilhões para antecipar – com desconto – a quitação de valores devidos por suas hidrelétricas a título de Uso do Bem Público (UBP), uma espécie de royalty.
Essa antecipação com desconto foi aprovada em uma recente lei de reforma do setor elétrico para aliviar o forte aumento das tarifas de energia previsto para este ano. A repactuação também teve adesão de outras empresas, como Cemig e Neoenergia.
Em Jirau, a Engie tem como sócios a AXIA Energia, também com 40%, e a japonesa Mitsui, com 20%.
O follow-on permitirá à Engie ampliar sua geração hidrelétrica em um momento em que essa fonte de energia tem sido mais valorizada no mercado.
Após anos afastando investidores por polêmicas ambientais e pelo risco associado à falta de chuvas, as usinas hídricas voltaram a atrair interesse – e a gerar retornos significativos – devido à flexibilidade para produzir a qualquer momento, incluindo nos horários em que a energia está mais cara.
“Está todo mundo querendo crescer em hidrelétrica, e não tem ativo no mercado. Jirau já está operacional, e performando bem. O ativo está redondo,” disse a fonte próxima à Engie.
A subsidiária brasileira da Engie – o grupo francês anteriormente conhecido como GDF Suez – já é a segunda maior geradora do Brasil, atrás apenas da AXIA Energia, e tem uma ampla carteira de usinas hidrelétricas.
Em sua expansão por aqui, o grupo europeu adotou a estratégia de fazer os investimentos em grandes projetos de forma direta, repassando-os à empresa listada na B3 quando avaliava que os principais riscos estavam mitigados.
Esse modelo já havia sido usado na usina de Estreito, no Tocantins, de forma que a transação anunciada agora não foi recebida com surpresa no mercado.
A aquisição deve ser aprovada numa assembleia em 2 de julho, na qual o controlador não votará. O maior minoritário da companhia é o Banco Clássico, de José João “Juca” Abdalla Filho, que tem 10% do capital e 33% do free float.
Itaú BBA e Santander Brasil estão coordenando a oferta.
A Engie vale R$ 37,9 bilhões na Bolsa. A ação sobe 7,5% desde o início do ano e 19,8% nos últimos 12 meses.











