A ABSeed Ventures – a gestora de venture capital de Geraldo Melzer e Marcelo Hoffmann – acaba de captar R$ 200 milhões para dois novos veículos, levantando recursos num momento de transformação do mercado de startups por conta da AI.

A gestora captou R$ 100 milhões para um novo fundo que vai seguir a mesma tese de seus dois veículos anteriores.
Assim como eles, o FIP Seed III vai investir em rodadas de early stage com foco em software B2B, “mas obviamente, nossa tese se transformou junto com a evolução da tecnologia,” Melzer disse ao Brazil Journal. “Ainda buscamos software B2B, mas agora isso significa buscar startups que fazem isso tendo um componente muito forte de inteligência artificial por trás.”
O Seed III já fez cinco aportes, nas startups Clinia, Harumi, Teceo, DGenny e Robbin.
O segundo veículo, também de R$ 100 milhões, será um fundo evergreen (sem data para terminar), captado com apenas quatro famílias, todas de Santa Catarina.
O fundo – batizado de ABSeed Winners – vai “co-investir com fundos parceiros em Séries A e B, que não poderíamos com o fundo seed, e fazer follow-ons em negócios do nosso portfólio que estão avançando bem e que também não poderíamos investir por já termos concentração máxima ou porque o dinheiro acabou,” disse Hoffmann, o outro sócio da gestora.
Uma terceira estratégia desse fundo será comprar participações em startups por meio de transações secundárias.
Para os fundadores, o fundo evergreen traz benefícios.
“Como podemos ficar sentados nos ativos sem limitação de tempo, ele permite fazer uma análise restrita ao ativo – e não pensando tanto em portfólio – além de permitir concentrar capital setorialmente, sem limitação de cheque numa oportunidade,” disse Melzer. “É uma estratégia de alocação mais orientada à qualidade dos ativos e menos a um blend de companhias que compõem uma carteira.”
O fundo evergreen ainda não fez nenhum investimento.
Fundada em 2017, depois de Melzer ter trabalhado na RD Station e na Dell e Hoffmann ter feito carreira como advogado, a ABSeed já fez 26 investimentos em startups, dando um dos primeiros cheques para empresas como a Conta Simples, Movidesk e Meetime.
A captação vem num momento de transição no mercado de tecnologia, com a inteligência artificial transformando diversos negócios e viabilizando a criação de outros.
Para Melzer, a AI “está fazendo com que bons empreendedores saiam de casa e construam algo.”
“Nunca foi tão barato e tão poderoso empreender. Estamos muito entusiasmados com as coisas que estão surgindo, mas também estamos vendo tudo com uma humildade grande, usando nosso tempo para tentar ter uma leitura clara dos tipos de negócios que vão se beneficiar do que está acontecendo e os que tendem a ficar mais vulneráveis,” disse ele.
Especificamente sobre o mercado de SaaS, Hoffmann disse que o software como o conhecíamos de fato morreu.
“Aquele software para ajudar os humanos a tomar decisões tende a ter um espaço menor. Nesse novo ambiente agêntico, o software está indo para o caminho de fazer o trabalho, de service as a software. E quando ele faz isso, ele tende a capturar outros budgets e destravar outros mercados.”











