A Vibra Energia lucrou R$ 1,6 bilhão no primeiro tri, mais que dobrando o resultado tanto em base sequencial quanto anual, e elevando também as margens.
O resultado foi beneficiado pelo efeito não-recorrente do fim de uma disputa judicial que permitiu à empresa reconhecer recuperações tributárias de R$ 794 milhões.
Mas o período também foi marcado especialmente pelo início da guerra no Irã, no final de fevereiro, que abalou os mercados de combustíveis com a disparada dos preços internacionais do petróleo.
“Foi um trimestre muito atípico,” o CEO Ernesto Pousada disse ao Brazil Journal.

“Com a escalada no Oriente Médio, nosso trabalho foi para garantir que postos e clientes se mantivessem abastecidos. No minuto seguinte ao estouro da guerra, dobramos as importações. Não hesitamos em aumentar mesmo com a extrema volatilidade nos mercados.”
O CEO também destacou o impacto positivo da continuidade das medidas tomadas para restringir a atuação dos sonegadores do setor, como a entrada em vigor da monofasia da nafta e a regulamentação da lei do devedor contumaz.
Este cerco aos irregulares, junto com a garantia de oferta de combustíveis em meio à guerra, ajudou a atrair mais postos para a rede da Vibra, levando a um recorde histórico de expansão para um trimestre: 155 novas unidades.
A margem EBITDA ajustada cresceu 62% ano a ano e 39% frente ao quarto tri de 2025, para R$ 350 por metro cúbico.
Questionado sobre o impacto da guerra sobre as margens, Pousada disse que diversos fatores contribuíram para os números do trimestre, sem detalhar.
“Isso reflete o combate ao mercado irregular, com todos jogando dentro das mesmas regras. E estamos utilizando AI, reduzindo nossos custos. Trabalhamos muito a volatilidade, em ganhos de trading internacional. Tem vários aspectos.”
Poucas horas antes, a CEO da Petrobras, Magda Chambriard, havia citado de forma crítica a privatização da antiga BR Distribuidora, que deu origem à Vibra.
“Nesse meio tempo, agora em ‘época de guerra’, segundo a ANP, a margem de lucro da distribuição e revenda de óleo diesel aumentou no país 124%, e da gasolina 44%,” Magda escreveu no Linkedin.
Questionado sobre o posicionamento da CEO da Petrobras, Pousada defendeu o papel das distribuidoras, inclusive na garantia do suprimento.
“Temos que lembrar uma coisa: o mercado de distribuição impacta em 5% no preço final na bomba. E aqui não estou falando da minha margem, estou falando dos meus custos todos. O maior impacto vem do preço de aquisição do produto e impostos.”
Pousada também defendeu que a companhia assumiu custos e riscos para ampliar as importações e suprir o mercado em um momento de preços em alta e volatilidade.
“Agora o preço do petróleo está caindo. Esse é um risco que está no meu negócio, é inerente ao meu negócio.”
O EBITDA ajustado da Vibra no tri foi de R$ 3,2 bilhões, um avanço de 58% ano a ano.
A companhia ainda reduziu a alavancagem – de 2,4x ao final de 2025 para 2x agora.
A ação da Vibra sobe 94% em 12 meses. A companhia vale R$ 39 bilhões na Bolsa.











