A AXIA Energia escolheu Élio Wolff como seu próximo CEO, iniciando oficialmente o processo de sucessão do atual presidente, Ivan Monteiro.
Ex-chefe de M&A da gigante francesa Engie na matriz do grupo em Paris, Wolff vinha liderando as fusões, aquisições e desinvestimentos da AXIA.
Ele estava à frente da Vice-Presidência de Estratégia e Desenvolvimento de Negócios desde quando a companhia ainda se chamava Eletrobras.
Após mais de duas décadas na Engie, Wolff foi contratado pela ex-estatal em 2022, meses após sua privatização.
Monteiro – que deixará o cargo no final de abril de 2027, quando encerra seu mandato – também chegou à empresa na sequência da desestatização, inicialmente como chairman, em agosto de 2022.

Ele assumiu a presidência-executiva um ano depois, substituindo Wilson Ferreira Jr. em uma mudança que surpreendeu o mercado à época.
Antes, Monteiro foi CFO do Banco do Brasil, além de CEO e CFO da Petrobras e banker no Credit Suisse.
Agora, sua saída está associada ao limite estatutário que impede a eleição de maiores de 65 anos para cargos na diretoria executiva, exceto em “casos excepcionais devidamente justificados e aprovados pelo conselho”, de acordo com a companhia.
Monteiro tem 66 anos.
Citando a regra estatutária, a AXIA disse que o conselho aprovou a criação de uma vice-presidência transitória, vinculada ao atual CEO, que será ocupada por Wolff até a saída de Monteiro.
As áreas de Engenharia, Comercialização, Tecnologia, Operações, Gente, Regulação, Institucional e de Mercado já passarão a se reportar de imediato ao futuro CEO.
Já as vice-presidências de Governança, de Finanças e Relações com Investidores, e Jurídica continuarão se reportando a Monteiro durante a transição
Em seu período à frente da AXIA, Monteiro liderou a transformação da gigante de energia em uma empresa privada – o que incluiu uma mudança de nome e marca.
O executivo, com ampla experiência no setor público, também conduziu delicadas negociações com o Governo Lula sobre uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) em que a União questionava as regras da privatização da companhia.
Em meio a ataques públicos do Presidente da República à desestatização, chamada por ele em diversas ocasiões de “um crime de lesa-pátria”, Monteiro garantiu vitórias importantes ao final das discussões.
Após uma conciliação mediada pelo STF, assinou um acordo que garantiu três cadeiras ao Governo no conselho, embora mantendo a limitação no direito a votos da União a 10%, conforme definido pelo Congresso na privatização.
Monteiro também conseguiu uma vitória adicional nas negociações ao obter autorização para que a empresa deixasse a Eletronuclear, a estatal responsável pelas usinas nucleares brasileiras, incluindo o projeto inacabado de Angra 3.
Em eventos públicos, Monteiro gosta de se definir como “um simples bancário”, e diz estar preparando a AXIA para ser uma empresa mais voltada ao cliente, após décadas como monopólio estatal.
Esses esforços incluíram a criação de um time de comercialização de energia baseado em São Paulo – longe da sede da companhia no Rio de Janeiro mas no centro da região que hoje é o coração do mercado livre (os escritórios de tradings estão concentrados nos bairros da Vila Olímpia e Faria Lima.)
Já Wolff, à frente dos M&As, conduziu nos últimos anos diversas negociações de compra, venda e troca de participações da AXIA, em transações que levantaram caixa e ainda ajudaram a simplificar a estrutura corporativa da empresa.
A AXIA vale R$ 180 bilhões na Bolsa. A ação sobe 124% em 12 meses, impulsionada em parte pelos preços elevados no mercado de energia elétrica.











