A Abra – a holding que controla a Gol e a Avianca – está preocupada com os impactos que a entrada da American Airlines e da United no capital da Azul poderiam trazer à concorrência no setor de aviação do País, notadamente no mercado de voos para os Estados Unidos.
As empresas americanas assinaram acordos de investimento no início do ano para adquirir participações minoritárias na aérea de David Neeleman, em meio à recuperação judicial da companhia nos EUA.
A transação com a United foi aprovada sem restrições e por unanimidade no CADE em fevereiro.
Agora, no caso da American, a Abra está pedindo para participar da análise concorrencial como terceiro interessado, o que permitiria colaborar com estudos e dados.
Em documentos enviados ao CADE, a Abra disse que transação não poderia ser analisada pelo órgão “como um simples investimento financeiro passivo” da American porque prevê a presença da empresa em um Comitê Estratégico da Azul – o que na prática garantiria a ela “acesso e poderes tais como de um controlador.”
Para a Abra, essa composição – com a American e a United participando de decisões operacionais da Azul por meio do comitê – reduziria a rivalidade entre as três, que juntas dominam mais de 50% dos voos entre o País e EUA.
Agravando o quadro, segundo a dona da Gol, está o fato de que essa composição ocorreria em um mercado em que a Delta e a Latam já operam por meio de um joint business agreement.
“Nesse cenário, você tem dois grandes grupos controlando um dos maiores corredores internacionais do Brasil. É um poder de mercado gigante,” uma fonte próxima à Abra disse ao Brazil Journal.
Ao pedir para entrar como terceiro interessado na análise do CADE, a Abra quer ter a oportunidade de levar seus temores sobre o impacto no mercado e sugerir remédios.
Um exemplo seria a obrigação de alguma das empresas oferecer um acordo de code share à Gol.
“O que eles querem é participar desse processo, serem ouvidos.”
A United é hoje uma das maiores acionistas da Azul, com 8,7% do capital – a mesma participação da gestora Readystate e a mesma fatia que a American terá caso a transação entre as empresas seja confirmada.
As americanas se comprometeram com um aporte de US$ 100 milhões cada em troca de participação na Azul.
Ao defender a transação com a American junto ao CADE, a Azul disse que o investimento é “componente essencial” de sua reestruturação e visa estabilizar sua posição financeira e “garantir sua viabilidade a longo prazo.”
A companhia também argumenta que o acordo “ampliará as opções de viagens a preços competitivos e fornecerá melhores serviços e benefícios adicionais” a seus clientes.
A Azul ainda negou que a transação possa equivaler a um controle compartilhado e disse que isso só ocorreria caso United e American tivessem direitos de veto ou bloqueio decisório em matérias estratégicas.
“A American, portanto, não possui capacidade de determinar, bloquear ou influenciar materialmente a conduta concorrencial da Azul,” escreveram os advogados da empresa no processo antitruste.
Enquanto investiam juntas na Azul, as duas companhias também chegaram a conversar sobre uma potencial fusão nos EUA.
Nos últimos meses, a United procurou a American, mas a proposta não foi aceita.
O CEO da American, Robert Isom, declarou depois que em sua avaliação o negócio poderia ser “ruim para os clientes e ruim para o setor,” e até o Presidente Trump disse que preferiria ver as companhias separadas.











