A Iguá Saneamento está recebendo uma capitalização de R$ 700 milhões de seus acionistas, os grupos canadenses CPPIB e AIMCo, e a BNDESPar.
O aumento de capital vai reforçar a estrutura de capital e suportar investimentos, e será realizado de forma proporcional à participação dos atuais sócios.
Não há previsão de usar os recursos para quitação antecipada de dívidas.
“O objetivo desse aporte é viabilizar crescimento, principalmente no portfólio atual, onde vemos muita oportunidade de investir e trazer valor para as operações. Mas, obviamente, avaliando também todas oportunidades que o setor apresenta,” o CFO João Lopes disse ao Brazil Journal.
A Iguá encerrou o primeiro tri com um endividamento bruto de R$ 13,2 bilhões, e uma alavancagem financeira consolidada de 9,6 vezes, abaixo dos 11,8x de um ano atrás.
Excluídas as operações no Rio de Janeiro e Sergipe, em estágio mais inicial, o indicador estaria em 3,49x, contra 3,68x em 2025.
“Não vemos um problema de alavancagem na Iguá,” disse Lopes.
Segundo ele, o nível de endividamento “é compatível com o aumento do portfólio”, e haverá “uma desalavancagem natural” da empresa adiante.
Com atuação em São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro, Mato Grosso, Sergipe e Alagoas, a Iguá investiu R$ 830 milhões em 2025, um aumento de 28% na comparação com o ano anterior.
Entre janeiro e março deste ano, o EBITDA totalizou R$ 389 milhões, um salto de 46,9% frente ao primeiro tri de 2025.
“A meta da Iguá é crescer exponencialmente nos próximos três a quatro anos,” disse o CEO René Silva.
Segundo ele, a decisão de capitalizar o grupo não está relacionada ao momento macroeconômico, com as incertezas geradas pela guerra no Irã, mas mostra que os sócios “têm capacidade financeira e disposição de investir independente do momento.”
“O perfil dos acionistas é um perfil de longo prazo.”
A administradora canadense de fundos de pensão CPPIB tem 66,5% da Iguá, enquanto a AIMCo, a gestora de recursos do governo de Alberta, tem 24%, e a BNDESPar, 9,5%.
Na mesma assembleia que aprovou a capitalização de R$ 700 milhões, os acionistas aprovaram um aumento do capital social autorizado da companhia em valor maior, de R$ 929,3 milhões, “com objetivo de viabilizar futuros aportes,” segundo o fato relevante.
A transação foi divulgada poucos dias após a Iguá concluir uma captação de R$ 1 bilhão por meio de debêntures verdes de sua subsidiária no Sergipe, adquiridas pelo BID Invest, do Banco Interamericano de Desenvolvimento.
Com prazo de vinte anos, essas debêntures substituirão parte de um empréstimo-ponte tomado para a operação em Sergipe – a última incorporada pelo grupo, no ano passado, fruto de vitória em um leilão em setembro de 2024.
A Iguá ainda discute uma operação com o Banco do Nordeste para acessar recursos do programa Saneamento para Todos, com verba do FGTS, e também prevê voltar a acessar o mercado para concluir o financiamento de longo prazo para Sergipe.
O empréstimo-ponte da Iguá Sergipe foi de R$ 2,65 bilhões, com vencimento em junho de 2029.
A Iguá tem R$ 886 milhões em vencimentos neste ano e R$ 178 milhões em 2027. A maior parte da dívida é de longo prazo, com R$ 9 bilhões vencendo após 2031.
Apontada como potencial candidata a uma abertura de capital, a empresa está “pronta” mas aguarda uma janela favorável de mercado, disse o CFO.
“Não temos pressão para fazer um IPO. Não temos nenhum grande projeto novo, e temos acionistas que têm disponibilidade de investir, como provamos agora. Mas é um próximo passo natural, uma vez que haja condições adequadas.”











