A Bradsaúde – a nova empresa que reúne as operações de saúde do Bradesco – reportou queda na sinistralidade e um ROE de 24,8% no primeiro tri, acima dos 23,6% do tri anterior. 

As receitas somaram R$ 13,4 bilhões e o lucro líquido ficou em R$ 1,3 bilhão. O Citi disse que os números colocam um viés de alta em suas estimativas para a empresa; o banco hoje projeta um lucro anual de R$4 bilhões para a companhia.

A Bradsaúde é o resultado de uma ampla reorganização societária feita pelo Bradesco, que listou a companhia na Bolsa por meio de um IPO reverso da Odontoprev. 

A nova ação começou a ser negociada hoje na B3 com o ticker SAUD3 – substituindo o papel da Odontoprev – e sobe quase 4% por volta das 12h.

Nessa primeira divulgação de resultados, a empresa informou números pro forma e não reportou um histórico consolidado, apenas de algumas de suas subsidiárias – o que decepcionou parte dos analistas. 

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O CEO Carlos Marinelli disse hoje cedo que a companhia apresentou dados gerenciais de forma voluntária, e que o balanço consolidado será publicado no segundo tri. 

“Apesar da baixa granularidade, foi uma estreia saudável. O começo de ano geralmente é de lado, e não foi o que vimos na companhia,” disse Vinicius Figueiredo, que cobre o setor de saúde no Itaú BBA e elevou a ação para outperform há poucos dias.

Um dos destaques do tri foi a Bradesco Saúde. A operadora é de longe o principal negócio do grupo, respondendo por 83% do lucro da Bradsaúde. 

No primeito tri, o volume de prêmios emitidos aumentou para R$ 13,3 bilhões, uma alta de 8,4% frente ao mesmo tri de 2025, principalmente em razão do acréscimo líquido de 52 mil beneficiários – o que elevou o total para 4 milhões.

A sinistralidade mergulhou para 79,1% ante 86,1% no tri anterior e 80,5% no primeiro tri de 2025.

Isso contribuiu para aumentar o lucro da Bradesco Saúde em 33,5% na comparação anual para R$ 1,2 bilhão. “A base de comparação era complicada. Seria difícil melhorar, e a empresa melhorou,” disse Figueiredo, do Itaú. 

Perguntado se esta queda da sinistralidade é sustentável, Marinelli lembrou que o primeiro trimestre é sazonalmente mais fraco em sinistros. “Com as férias e o Carnaval, as pessoas deixam as obrigações médicas para depois,” disse o CEO. 

Para ele, a sinistralidade para 2026 deve ser “olhada com cautela”. “Vimos, em 2025, um aumento da frequência médica e uma alta do custo por visita. Temos adotado ações para entender os motivos e atuar se necessário.” 

A sinistralidade da Odontoprev – o negócio de planos odontológicos – também caiu, para 32,7%. Estava em 42,6% no quarto trimestre de 2025 e em 35,8% no mesmo período do ano passado. 

Mas o lucro da Odontoprev caiu 9,6% na comparação anual para R$ 151 milhões. Segundo José Roberto Pacheco, o diretor de RI, a queda se deveu em parte às despesas com assessores financeiros e jurídicos para a formatação da Bradsaúde.

Além disso, a receita financeira diminuiu em razão do pagamento de dividendos e JCP no fim de 2025.

A Odontoprev respondeu por 11% do lucro da Bradsaúde no primeiro tri, enquanto a Atlântica Hospitais, a joint venture do grupo com a Rede D’Or, teve participação de 1%. O restante veio de negócios como Mediservice, Orizon, e a fatia de 24,9% do Bradesco no Fleury.

Marinelli disse que a Atlântica “deve contribuir de forma mais expressiva para o resultado” nos próximos meses.