O conselho da Vale aprovou por unanimidade a convocação de uma assembleia em 22 de julho para votar a destituição de seu chairman, Daniel Stieler, atendendo a uma solicitação da maior acionista da mineradora, a Previ – e disparando uma disputa interna pela posição.

Marcelo Gasparino

Na reunião do board que discutiu o tema, na última sexta-feira, o vice-presidente do conselho, Marcelo Gasparino, pediu e teve aprovação dos colegas para ser incluído como candidato ao cargo caso os acionistas aprovem a saída de Stieler.

Assim, Gasparino poderá disputar contra o nome indicado pela Previ: Manuel Lino Silva de Sousa Oliveira, o “Ollie”, que também é conselheiro e o lead independent director da Vale.

Mas ambos terão que concorrer com o próprio Stieler – que se movimenta ativamente nos bastidores para tentar se manter no cargo

Ao contrário de outros indicados pela Previ – que entregaram os cargos quando solicitado pela entidade, como o historiador João Fukunaga – Stieler não renunciou e ainda presidiu a reunião de conselho que tinha como pauta sua própria saída.

Durante essa reunião, inclusive, o conselho recusou-se a endossar o pedido da Previ para destituição do chairman

A decisão foi interpretada por alguns como um apoio a Stieler, mas foi um gesto em defesa da própria companhia, uma fonte que acompanha as discussões disse ao Brazil Journal.

Isso porque, em uma carta que listava os motivos para seu pedido de mudança na mineradora, a Previ, que tem 7% da Vale, disse ter preocupações com a governança do conselho, sua matriz de competências e até com a estratégia da empresa.

“É ponto pacífico que a Previ, como um acionista relevante, tem a prerrogativa de pedir uma assembleia de destituição de conselheiro. Nisso houve unanimidade. A justificativa que eles colocaram para a destituição é que não corresponde aos fatos, por isso não houve concordância,” disse esta fonte.

“Isso atingiria o conselho como um todo. Houve diversas melhorias na governança, os dados mostram isso. As agências até melhoraram o rating da Vale.”

06 15 Manuel Oliveira ok

Agora, caberá à assembleia decidir. 

A Previ também havia indicado seu ex-presidente José Maurício Pereira Coelho para uma vaga no conselho que será aberta caso Stieler seja substituído na presidência por outro membro do colegiado.

O conselho aprovou o nome, e também a candidatura de Ieda Gomes, ex-executiva da BP.

Uma segunda fonte que acompanha o processo avalia que acionistas da Vale como a Bradespar e a japonesa Mitsui devem votar pela saída de Stieler.

Os contornos da disputa pelo conselho da Vale deverão ficar mais claros nos próximos dias, conforme as consultorias especializadas (os proxy advisors) emitirem seus relatórios de recomendação de voto para a assembleia.

Mas para uma empresa que há dois anos convivia com a perspectiva de indicação do ex-ministro Guido Mantega para o conselho ou como CEO, as últimas notícias parecem bem menos preocupantes.