Reatores atômicos que caberão na caçamba de um caminhão e poderão gerar energia em qualquer lugar. A ambiciosa promessa da nova geração de equipamentos nucleares está mais perto de sair do papel nos Estados Unidos.
O Presidente Trump cercou-se de auxiliares e empresários do setor na Casa Branca na semana passada para anunciar que um quarto projeto de microrreator no país avançou para sua fase crítica de testes – ultrapassando a meta de um programa do Governo americano de ter três empreendimentos nesse estágio até 4 de julho.
A Aalo, que levantou mais de US$ 300 milhões em venture capital para sua fábrica em Austin, no Texas, foi a última empresa a concluir o chamado teste de criticidade com combustível em potência zero. Isso significa que foi possível gerar uma reação em cadeia de fissão nuclear auto-sustentada, embora ainda sem produção relevante de eletricidade.

A empresa agora promete entregar um microrreator de 10 megawatts diretamente ligado a um data center já em 2027, enquanto outra das participantes do programa, a Deployable Energy, prevê operação comercial em 2028.
A MIT Technology Review disse que a velocidade com que as empresas atingiram esse marco crítico é “impressionante, especialmente em uma indústria conhecida por projetos massivos que frequentemente ultrapassam cronogramas e orçamentos.”
(Angra 3 que o diga)
Mas a revista acrescentou que o avanço nos EUA não necessariamente significa que os projetos estão perto de operar.
Alguns dos microrreatores ainda precisam passar por “grandes desafios técnicos, e em alguns casos adicionar equipamentos importantes, como sistemas de resfriamento”, segundo a publicação.
“Atingir a criticidade e operar um reator capaz de produzir eletricidade são duas coisas totalmente diferentes.”
O secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, mostrou um otimismo bem maior, classificando o anúncio como “parte de um muito esperado renascimento nuclear americano.”
Trump, com sua tradicional modéstia, disse que os EUA “estão liderando o mundo como pioneiros na próxima geração de tecnologia nuclear, e não há ninguém nem perto.”
A Rússia e a China iniciaram na frente na corrida pela diminuição dos reatores atômicos, implementando os primeiros equipamentos de menor porte já operacionais do mundo – embora estes ainda sejam bem maiores que as tecnologias sendo atualmente desenvolvidas.
O projeto russo, da Rosatom, é de uma usina flutuante, instalada em um grande navio, e o chinês ocupa um prédio em um instituto estatal – enormes perto dos últimos protótipos das empresas americanas.
No próximo passo – os microrreatores – os EUA realmente parecem à frente, mas o “renascimento nuclear” não é apenas americano.
Além de chineses e russos, diversos outros países desenvolvem projetos de pequenos e microrreatores, como França, Canadá e até o Brasil.
O projeto brasileiro é conduzido pela estatal Indústrias Nucleares do Brasil, a Diamante Energia e a startup Terminus, com um investimento de R$ 50 milhões apoiado pela FINEP e meta de desenvolver um equipamento de 5 MW.











