“Eu acho que criminalista não sabe defender inocente.  Criminalista defende bandido” – Lula, em entrevista esta semana.

Lula já foi preso algumas vezes na vida. As prisões eram justas ou injustas? Hoje isso pouco importa: cada brasileiro já formou sua opinião, e absolutamente tudo já foi escrito e dito sobre este assunto.

O que me importa aqui é a postura de alguém que, tendo visto tantas vezes o sol nascer quadrado, desrespeita a profissão que o salvou de permanecer no cárcere por muito mais tempo.

Lula, que apesar de não ser um intelectual está longe de ser um homem burro, ofendeu homens e mulheres que lhe estenderam a mão nesses momentos de cárcere, mostrando ser capaz de falar qualquer besteira para se dizer mais honesto que os outros.

Se criminalistas só defendem culpados, como ele mesmo disse, fico despreocupado com o Poder Judiciário e parabenizo aqui Sérgio Moro.

É que Lula, ao falsear os fatos, deu por confessar sua criminalidade e a de seus companheiros. 

Se criminalistas só defendem culpados…

Um pouco de história não fará mal a ninguém.

Quando foi preso nos anos 70, Lula contou com Sepulveda Pertence e Márcio Thomaz Bastos em suas defesas. Ambos criminalistas históricos, de sucesso estrondoso. 

Eles só defendiam culpados? É isso, Luiz Inácio? A ditadura estava certa?

Sigamos.

Mensalão, início dos anos 2000.

O PT sofria então seu primeiro grande baque político-criminal. Toda a cúpula do Partido foi acusada.

Quem a defendeu? Os criminalistas. Sim, aqueles que só advogam para culpados.

Terá sido uma confissão tardia?

José Genoino, defendido pelo saudoso amigo Luis Fernando Pacheco.

José Dirceu, defendido por José Luís Oliveira Lima.

Duda Mendonça, defendido por Tales Castelo Branco em um primeiro momento, e depois por Antônio Carlos de Almeida Castro e Luciano Feldens, ao final.

Delúbio Soares, o todo poderoso tesoureiro do PT, defendido por Arnaldo Malheiros Filho.

Antônio Cláudio Mariz de Oliveira, Márcio Thomaz Bastos e José Carlos Dias, para banqueiros e seus familiares acusados de envolvimento.

Todos eles grandes criminalistas. 

Mas todos defensores de culpados, segundo o “jênio” ingrato.

A confissão sobre o Mensalão tardou, mas veio segundo essa lógica tosca.

Mas o tempo passa, torcida brasileira, diria Fiori.

E chegamos ao tempo de Moro e sua operação curitibana.

Palocci foi defendido por José Roberto Batochio.

José Dirceu, por Roberto Podval.

Gleisi Hoffmann, por Juliano Breda.

Os donos das empresas, defendidos por Alexandre Wunderlich, Mariz de Oliveira, Alberto Toron, Flávia Rahal, Dora Cavalcanti, Nabor Bulhões.

Michel Temer, defendido por Mariz e Eduardo Carnelós.

Dilma Rousseff, por Alberto Toron.

Aécio Neves, idem.

Todos, absolutamente todos, criminalistas de escol.

Segundo Lula, todos defendendo culpados.

Uma pena, Lula. Às vésperas da eleição de 2026, ofender uma classe da qual você e seus companheiros têm precisado tanto não é inteligente, e desrespeita sua história.

E o ato falho da confissão agrava ainda mais a besteira falada. Pois além de tudo, é mentiroso. Juarez Cirino, Sepulveda Pertence e José Roberto Batochio – todos defenderam Lula e pensaram as teses usadas anos depois na anulação dos processos. Esquecê-los é desrespeitá-los.

Quase me esqueci: o filho de Lula contratou um criminalista.

E os demais investigados nessa história do INSS, também.

Com a palavra, o Presidente. Culpados ou inocentes?

Thiago Anastácio é advogado criminalista.