O primeiro turno deste domingo está sendo visto no mercado como um potencial gatilho positivo para algumas ações de companhias do setor de energia elétrica e saneamento. 

Embora empresários não projetem nenhuma ruptura na agenda de leilões de concessões e nas políticas setoriais seja quem for o vencedor nas urnas, uma vitória da oposição pode derrubar as taxas de juros de longo prazo – um fator chave para indústrias intensivas em capital.

“Se a oposição vencer, o mercado vai acreditar num ajuste fiscal, e o setor é muito sensível ao juro longo,” um analista de utilities disse ao Brazil Journal.

Entre os nomes que podem abrir em alta na segunda-feira se a apuração mostrar números favoráveis a Flávio estão principalmente as distribuidoras de energia e empresas de saneamento.

Diversos analistas citaram especificamente a Energisa, que atua principalmente em distribuição, e a Equatorial, que tem distribuição e saneamento, além da Sabesp e da geradora renovável Auren – esta última devido à sua alavancagem elevada. 

Em uma visão mais ampla, a avaliação é de que os papéis em geral tendem a subir em caso de vantagem de Flávio, ou recuar com uma boa performance de Lula.

“Como energia e saneamento são mais defensivos e têm menos volatilidade de forma agregada, eles deveriam andar menos pros dois lados. Dito isso, existem single names dentro destes setores que podem ser mais sensíveis para cima ou para baixo,” disse o analista de um grande banco.

As ações de companhias com prazos de concessão mais longos também tendem a ganhar um impulso maior com uma eventual vitória da oposição. “Quanto maior a concessão, maior a sensibilidade do ativo aos juros mais longos – além do nível de dívida e do capex,” disse um terceiro analista. 

Para esta fonte, a Sabesp e a transmissora Alupar podem se destacar positivamente nessa hipótese. 

Já num cenário pró-Lula, os nomes de duration baixa e alavancagem baixa podem se sair melhor, bem como as transmissoras, vistas como refúgio seguro, disse o segundo analista. 

Inclusive, em caso de vitória do petista, os papéis de saneamento e elétricas podem em geral “outperformar” o mercado no curto prazo por suas características mais defensivas. 

Por outro lado, embora as sinalizações sobre a futura política fiscal e seu impacto sobre os juros sejam uma variável chave, o time de analistas do UBS disse que ainda há muita incerteza nesse front, ainda mais numa eleição tão disputada. 

Após uma série de conversas com consultores externos, o UBS alertou que os “investidores podem estar esperando um grau maior de disciplina fiscal do que os incentivos da política brasileira naturalmente encorajam.”

“Sob essa visão, futuras administrações de qualquer orientação ideológica provavelmente enfrentarão restrições políticas significativas ao tentar implementar ajustes fiscais.”