A UnitedHealth reportou um segundo trimestre que superou com folga as projeções dos analistas na sinistralidade e lucro,  sinalizando uma recuperação sólida da operadora de saúde depois de um período de números pressionados.

O resultado levou a UnitedHealth a revisar seu guidance para o ano, ampliando sua expectativa para o lucro por ação de US$ 18,25 para um intervalo entre US$ 19,50 e US$ 20. 

No pregão de ontem, quando os resultados se tornaram públicos, a ação abriu em alta de mais de 10% – mas devolveu parte dos ganhos ao longo do dia. 

Hoje o papel sobe mais 1,6% na Bolsa de Nova York, com a companhia valendo US$ 392 bilhões.

A UnitedHealth reportou um lucro líquido de US$ 5,48 bilhões no trimestre, ou US$ 6,04 por ação. 

No sellside, a projeção para o trimestre era de um lucro por ação de US$ 4,91.

Já o medical-loss ratio – que mede a sinistralidade e é um indicador chave no setor – fechou o trimestre em 86,7%, enquanto o mercado projetava 88,4%. 

A melhora nos resultados vem cerca de um ano depois de Stephen Hemsley reassumir o cargo de CEO prometendo mudanças estruturais na companhia, após a forte crise enfrentada pela UnitedHealth em 2025 em seu negócio de Medicare Advantage.

A companhia, uma das maiores operadoras desse programa de saúde do governo americano voltado principalmente para idosos, acabou perdendo dinheiro com o negócio à medida que os beneficiários utilizaram mais consultas, exames e procedimentos do que a empresa havia previsto. 

Além disso, o governo americano passou a fiscalizar com mais rigor os pagamentos feitos às operadoras do programa e reduziu o ritmo de crescimento desses repasses, pressionando ainda mais a receita da UnitedHealth.

Hemsley, que já havia sido CEO da UnitedHealth no passado e era o chairman da companhia, reassumiu o comando em maio depois que seu antecessor Andrew Witty renunciou em meio a uma forte queda das ações e resultados desapontadores. 

Desde que assumiu, Hemsley trocou boa parte do top management, reduziu a extensa rede de médicos da Optum (sua vertical de serviços de saúde) e diminuiu o número de beneficiários em seus principais planos do Medicare, após anos de crescimento agressivo.

As mudanças começaram a aparecer no início deste ano, mas ganharam tração agora no segundo tri. O CFO Wayne DeVeydt disse numa call com analistas que no primeiro trimestre “vimos alguns sinais de recuperação que foram muito encorajadores para nós e que se provaram consistentes nos meses subsequentes.”

Segundo a empresa, a performance no trimestre teve a ver com uma combinação de mudanças no desenho dos planos de saúde, pagamentos maiores de prêmios e um trabalho forte em cima dos custos médicos. 

O CFO disse na call que as mudanças nos planos incluíram a substituição de copagamentos (copayments) por modelos de cosseguro (coinsurance), nos quais os beneficiários passam a arcar com um percentual do custo dos procedimentos.

Além disso, ele disse que a UnitedHealth está implementando diversas ferramentas de inteligência artificial para detectar pagamentos inapropriados e combater o uso de IA por empresas responsáveis pelo faturamento de despesas médicas. “Conseguimos usar IA para identificar o que consideramos anomalias incomuns,” disse ele, segundo o The Wall Street Journal.  

A UnitedHealth está investindo mais de US$ 1,5 bilhão este ano em AI para ajudar a cortar custos e melhorar a performance. 

O resultado já levou alguns investidores a acharem que a companhia pode se recuperar mais rápido que o previsto. David Wagner, da Aptus Capital, um acionista da UnitedHealth, disse à Bloomberg que os números “são um ótimo lembrete de que essa pode ser uma história de turnaround bem mais rápido do que a maioria acreditava.”