O Bradesco entregou mais um trimestre de melhora nos resultados, tranquilizando o mercado. 

O lucro cresceu pelo décimo trimestre seguido e chegou a R$ 7,1 bilhões, uma alta de 16,2% na comparação anual e de 3,5% no sequencial. 

O ROE aumentou para 16,2% – estava em 14,6% há um ano e em 15,8% no primeiro trimestre. 

A ação havia caído 2,6% nos dois últimos pregões, com os investidores temendo que o balanço pudesse mostrar números preocupantes em meio à piora do cenário macro. Não foi o que aconteceu. 

Além do bottom line, as demais linhas de receita e crédito vieram dentro do esperado, com as despesas crescendo abaixo da inflação em 12 meses.

Marcelo Noronha

A carteira de crédito cresceu mais que as do Itaú e Santander: 4,3% no tri e 11,6% no ano. Também ficou acima do guidance, que prevê expansão entre 8,5% e 10,5% em 2026, mas o CEO Marcelo Noronha disse que a taxa vai convergir para o topo superior da projeção até dezembro.

O banco destacou que o mix de crédito está mais conservador, com maior crescimento nos empréstimos com garantias. “Nossa carteira está mais colateralizada do que no passado. Nosso apetite continua sendo por essas linhas. Não buscamos crescer em empréstimos clean, por exemplo,” disse Noronha na call desta manhã. 

A margem com clientes aumentou 3,6% frente ao primeiro tri e 13,8% na comparação anual. A inadimplência acima de 90 dias foi de 4,3% em junho, ante 4,2% em março e 4,1% há 12 meses. 

As provisões aumentaram 3,3% no trimestre e 22,6% no ano. A alta se concentrou no segmento massificado (que inclui pessoas físicas e PMEs), enquanto houve queda no PDD do atacado.  

Essa provisão maior no massificado se deveu, segundo o Bradesco, à inadimplência nas linhas que contam com os fundos garantidores FGI e FGO: os recursos são liberados aos bancos entre 120 e 180 dias depois de o crédito ser considerado inadimplente e, até lá, os empréstimos não pagos devem ser provisionados. Também houve problemas sazonais no crédito rural.

Segundo André Carvalho, diretor de RI, isso também explica a alta do share dos créditos estágio 2, de maior risco, na carteira total do Bradesco no trimestre: o percentual passou de 4,9% em março para 5,5% em junho. “São pressões localizadas e que não preocupam,” disse Carvalho na call.

Chamou a atenção do mercado o fato do Bradesco ter destacado, no release de resultados, a deterioração dos riscos no País – algo raro ou mesmo inédito. “Ao mesmo tempo, o banco está mais preparado para essa deterioração do que no passado,” disse um analista do sellside

O Bradesco anunciou na semana passada um aumento de capital que pode atingir R$ 10 bilhões, e analistas viram no timing do anúncio um sinal de que o banco está se antecipando a um cenário pior nos próximos meses. 

O índice de capital principal aumentou de 10,2% em março para 11,3% em junho. Os dados pro forma indicam que poderá chegar a 13,6% quando incluídos o aumento de capital (se chegar a R$ 10 bi, o mínimo é R$ 8 bi) e a totalidade da operação da Bradsaúde. 

“Com isso, o banco não precisa mais de capital, mas precisa melhorar a qualidade desse capital usando a grande quantidade de créditos tributários que tem,” disse esse analista.

A Bradesco Seguros teve um lucro de R$ 2,9 bilhões, uma alta de 6,7% em relação ao primeiro tri e de 28,3% na comparação anual. 

O ROE da seguradora aumentou para 22,8%, frente ao retorno de 21,6% no tri anterior e 21,4% há um ano.

A ação do Bradesco sobe 15% nos últimos 12 meses, ante uma alta de 33% do Ibovespa.

O banco vale R$ 181 bilhões na Bolsa.