A PRIO teve um segundo tri de recordes, apoiada pelos preços altos do petróleo e avanços na produção – em resultados que ampliaram a já elevada expectativa do mercado por uma política de remuneração aos acionistas prometida pela companhia alguns meses atrás.
Na teleconferência de resultados desta quarta-feira, a direção da maior petroleira independente do País manteve o suspense no ar.
“Começamos a discutir essa política no conselho e existe um consenso geral sobre recompra de ações, distribuição e assim por diante. Mas achamos por bem esperar essa situação macroeconômica e geopolítica tão conturbada se assentar um pouco antes de divulgar,” disse o CEO Roberto Monteiro.
Monteiro havia projetado em março uma definição sobre o assunto ainda no primeiro semestre, com a PRIO esperando então uma significativa geração de caixa adicional após obter a licença de operação do campo de Wahoo.

Agora, com Wahoo já produzindo sua capacidade total de 40 mil barris por dia e com o Brent sustentado pela guerra no Irã, analistas diziam que qualquer indicação sobre o timing da política de dividendos seria o grande destaque do call de resultados.
Não houve grandes pistas. Monteiro disse apenas que a política de proventos “está pronta” e “acordada dentro do conselho,” aguardando os desdobramentos macro e no Oriente Médio.
“É tanta confusão… Hoje é isso, amanhã é aquilo,” disse Monteiro, após uma pergunta de um analista. Segundo ele, porém, a divulgação deveria ser um “non-event”, uma vez que a companhia “já está executando” o plano com recompras de ações, por exemplo.
“Não é que instaurar a política vai mudar alguma coisa.”
As recompras de ações, inclusive, devem acelerar no terceiro e quarto trimestres, “tendo em vista que o grosso do capex passou” e o investimento “começa a cair bastante até o final do ano.”
Além disso, as operações de M&A “deram uma secada” diante da volatilidade do petróleo, que dificulta se chegar a um acordo sobre o preço dos ativos.
Focando nas recompras, a PRIO deve chegar em breve a ter até 10% dos papéis em tesouraria.
A alavancagem, por sua vez, deve cair dos 1,5x atuais para 0,8x no ano que vem se o petróleo seguir na casa de US$ 80 por barril, ou 1x com Brent a US$ 60.
Já a produção deve encerrar este ano um pouco acima de 200 mil barris por dia, levemente superior às projeções internas anteriores da companhia.
Durante o call, Monteiro também foi questionado sobre a decisão do Governo de manter o imposto sobre as exportações de petróleo – instituído por uma medida provisória que caducou e que foi recriado por meio de uma decisão da Camex.
Ele disse que a decisão da PRIO foi judicializar, questionando a lógica da taxação.
Para justificar o imposto, o Governo teve o desplante de alegar que aquela era uma medida regulatória – e não arrecadatória.
A legislação não permite criar impostos meramente arrecadatórios por decisão da Camex, e nem por MP, a não ser que para entrada em vigor só no ano seguinte.
“Para quem não é do setor, pode parecer que ´ah, esses caras estão ganhando muito dinheiro, então tem que pagar’. Mas na verdade não é bem isso que está acontecendo. O Brasil produz mais de 4 milhões de barris de petróleo por dia e só pode refinar dois milhões. Então não adianta falar que não vai exportar petróleo,” disse Monteiro.
“Se for uma tese de que é para regular o mercado… você pode fazer isso à vontade que o petróleo não vai ficar no Brasil.”
E enquanto o preço do Brent já voltou para perto dos níveis pré-guerra, os combustíveis seguem caros, e são eles que pressionam a inflação, disse o CEO.
“Hoje você tem uma margem de refino gigantesca. O refino ganha mais dinheiro que E&P (exploração e produção), o que não faz sentido nenhum; o refino tem muito menos risco.”
Esse quadro, explicou, está associado à perda de capacidade de refino na Rússia, após bombardeios da Ucrânia, e ao veto da China às exportações de derivados, que geraram uma enorme escassez de produção de combustíveis no mundo que não vai ser resolvida com taxação de exportação aqui.
“Essa história toda é o que tentamos trazer em nossa tese jurídica. Dito tudo isso, achamos que (o imposto) acaba. Eram mais 60 dias, e a guerra também parece que está arrefecendo um pouco.”











