A Lojas Riachuelo reportou um segundo tri que superou as projeções do sellside e trouxe com uma série de recordes históricos.

O resultado também marcou um ponto de inflexão na estratégia da companhia, que a partir do segundo semestre vai entrar em ‘modus’ expansão – voltando a abrir lojas num ritmo acelerado depois de anos de quase nenhuma adição. 

A varejista reportou um EBITDA de R$ 461 milhões, um crescimento de 12,7% em relação ao mesmo período do ano passado, com a margem chegando a 17,1% – a maior para um segundo trimestre nos últimos 12 anos.

O número veio 3,6% acima do consenso dos analistas, que era de R$ 445 milhões.

O bottom line também veio com um recorde histórico: a Riachuelo entregou R$ 168 milhões, um crescimento de 36% ano contra ano e o maior lucro já atingido para um segundo trimestre. O número também veio acima do consenso, que era de R$ 130 milhões. 

No trimestre, a receita perdeu um pouco de força, com o ‘same store sales’ de vestuário ficando em 7,8%, em comparação aos 15,8% do mesmo período do ano passado. 

boopo andre farber

“Até o começo da Copa do Mundo vínhamos com um ritmo de crescimento muito forte,” o CEO André Farber disse ao Brazil Journal. “Mas quando a Copa começou sentimos um impacto grande. As lojas fecharam nos horários dos jogos e o consumidor acaba ficando menos disposto a gastar com roupa porque está gastando com coisas relacionadas a Copa.”

Segundo ele, se não fosse a Copa do Mundo, a estimativa é que o ‘same store sales’ de vestuário tivesse ficado próximo de 10%.  

O CEO disse que o terceiro tri ainda terá um impacto negativo da Copa do Mundo, já que a competição foi até 29 de julho. “Mas quando a Copa acabou já voltamos a ter resultados consistentes. E agora temos Dia dos Pais, que é uma data muito importante e também deve ajudar,” disse ele. 

O terceiro trimestre vai marcar uma mudança na estratégia da Riachuelo, que vai voltar a acelerar as aberturas de lojas e as reformas para um novo formato, num investimento que deve somar R$ 160 milhões este ano.

A expectativa, segundo o CEO, é abrir 14 lojas até o final do ano e reformar outras sete. Cada abertura demanda um investimento de R$ 8 milhões, enquanto as reformas demandam cerca de metade disso. 

Para efeito de comparação: no ano passado, a Riachuelo abriu sete lojas, enquanto em 2024 e 2023 ela não fez nenhuma abertura. 

Por enquanto, o novo formato de lojas só foi implementado em duas unidades, uma em Pinheiros, em São Paulo, e outra no Shopping Barigui, em Curitiba. André disse que ainda é cedo para medir os resultados, mas que os feedbacks dos consumidores tem sido “muito positivos.”

Essas lojas usam uma nova marca e comunicação da Riachuelo, e traz mudanças no portfólio e na forma de exposição dos produtos, além de tecnologias novas como self checkout que identifica os produtos assim que eles são colocados na cesta. 

“No médio e longo prazo, queremos converter todas as lojas para esse novo formato. Mas devemos fazer a reforma de umas 30 lojas por ano a partir do ano que vem. Contando as aberturas, que já estão nascendo com esse novo formato, devemos ter umas 70 lojas operando com esse novo formato até o final do ano que vem,” disse o CEO. 

No total, a Riachuelo tem 340 lojas hoje. 

No trimestre, a Riachuelo reportou uma geração de caixa operacional de R$ 135 milhões, mas teve uma geração de caixa livre (que considera o capex e juros) negativa em R$ 130 milhões. Segundo o CEO, isso teve a ver com os investimentos que a companhia fez para a ampliação de um de seus CDs, que custou R$ 270 milhões no trimestre. 

A alavancagem se manteve estável, em 0,7x EBITDA.

A Riachuelo vale cerca de R$ 4 bilhões na Bolsa, com sua ação caindo 17,6% nos últimos doze meses.