A Ternium – a siderúrgica ítalo-argentina que controla a Usiminas com 71% do capital – reportou um segundo tri que superou as projeções dos analistas nas principais métricas, um reflexo do novo momento da empresa, que está entrando numa “fase de colheita.”
A companhia entregou um EBITDA de US$ 717 milhões, uma alta de 50% tri contra tri e de 78% na comparação anual, impulsionada por volumes e preços fortes no México.
O número bateu o consenso em cerca de 15%, em grande parte graças a custos menores que o esperado na vertical de siderurgia – a maior da companhia, que também opera na mineração.
O Citi, por exemplo, projetava um EBITDA de US$ 524 milhões; o JP Morgan, de US$ 640 milhões, enquanto o consenso era de US$ 620 mi.
Os menores custos tiveram a ver principalmente com uma redução nos gastos com matérias-primas e placas de aços, resultado das iniciativas da Ternium para melhorar sua eficiência.
No trimestre, as vendas líquidas somaram US$ 4,3 bilhões, um aumento de 10% ano contra ano, enquanto o lucro líquido veio em US$ 465 milhões, em comparação aos US$ 259 milhões de um ano antes.
No BTG, o analista Leonardo Corrêa – que tem uma recomendação de ‘compra’ para a ação – elogiou o resultado e disse que espera uma reação positiva do papel no pregão de hoje.
Segundo ele, as perspectivas para o terceiro tri também são positivas, em cima de uma base de comparação já forte.
“Vemos um upside risk de cerca de 20% em relação a nossas estimativas atuais para o EBITDA do terceiro trimestre, já que a recuperação de volumes no México deve continuar e as margens devem seguir expandindo,” escreveu o analista.
“Não nos preocupa o modesto aumento da dívida líquida no trimestre nem o fluxo de caixa livre negativo, ambos explicados por investimentos ainda elevados voltados ao crescimento e por uma saída não recorrente de capital de giro.”
A Ternium reportou um fluxo de caixa livre negativo em US$ 193 milhões. A dívida líquida aumentou em US$ 450 milhões, com a companhia saindo de uma posição de caixa líquida para US$ 319 milhões em dívida (considerando os leasings).
A companhia disse que os volumes devem continuar se recuperando no México no terceiro tri “pela demanda mais forte do segmento comercial, projetos adicionais e pela substituição de importações pelas montadoras,” além do aumento dos investimentos públicos em infraestrutura.
Já no Brasil, a demanda deve continuar mista, com a resiliência dos mercados automotivo e de equipamentos para infraestrutura compensando a fraqueza na demanda por máquinas agrícolas. Uma potencial retomada de medidas protecionistas também pode ser um vento a favor.
Na Argentina, por sua vez, a forte atividade nos setores de energia, mineração e agronegócio deve continuar sustentando a demanda, enquanto a manufatura deve permanecer mais fraca por conta do consumo doméstico enfraquecido e da concorrência das importações.











