A B3 não abriu na manhã de hoje – algo nunca visto por investidores com décadas de mercado.
A empresa informou que houve um atraso interno no processamento das operações do aftermarket e, por isso, o mercado abriu em leilão contínuo.
As negociações de dólar padrão foram as primeiras a serem restabelecidas, às 9h35 (o horário usual é 9h). O último dia do mês é crítico para o mercado de dólar porque é quando acontecem as rolagens de posição e a formação da Ptax. “Provavelmente por isso a Bolsa priorizou esse mercado,” disse um trader.

A previsão inicial da B3 era de que os demais ativos e contratos começassem a ser negociados às 12h30 – mas isso só aconteceu pouco depois das 12h40. O Ibovespa abriu em alta de 0,3%, num dia relativamente calmo no exterior.
Em comunicado, a Bolsa informou que a medida foi “preventiva” e teve como objetivo “preservar a integridade das informações, a segurança dos processos de pós-negociação e o adequado funcionamento da infraestrutura de mercado.”
Já houve atrasos mais curtos no passado, e em mercados específicos, mas não um problema que paralisasse a Bolsa por mais de duas horas, o Brazil Journal ouviu de oito gestores e operadores de corretoras.
“Precisamos de pelo menos três horas de mercado aberto para executar o que precisamos. A manhã foi tensa, mas o impacto vai ser controlado,” disse um gestor de multimercado.
“O impacto maior vai ser para a B3 como empresa, principalmente quando ela começa a ter concorrência séria,” disse um gestor de ações. A ação da B3 abriu em queda de 0,1%.
Nas mesas das corretoras, a preocupação era com o cancelamento de ordens, especialmente de investidores estrangeiros.
O problema acontece em meio à temporada de resultados e logo depois de o Banco Santander anunciar uma oferta para comprar as ações que ainda não possui da operação brasileira – o que fez os ADRs subirem 12% na NYSE.
“Imagina os vendidos em SANB11 lendo isso com a B3 assim,” disse um gestor de ações enquanto a Bolsa ainda estava fechada.
Segundo um analista, a B3 vem enfrentando problemas operacionais pontuais desde 2024, como quedas de sistema e atrasos de alguns minutos na abertura e fechamento de mercados.
Depois dos eventos de hoje, a fragilidade tecnológica vai entrar na agenda do novo CEO Christian Egan, que assumiu em 6 de julho.
A expectativa é que o novo CTO, Eduardo Neves, tenha um plano de ação. Ex-Itaú e IBM, ele foi anunciado em 22 de julho, mas só deve assumir nos próximos meses, quando concluir sua transição no Itaú.











