O MASP anunciou que Flávia Almeida será a nova presidente do museu, sucedendo Heitor Martins, que estava no cargo há doze anos, e dando continuidade ao trabalho do grupo que fez o turnaround de um dos maiores museus da América Latina.

Flávia já era a vice-presidente do MASP desde o ano passado, e sua gestão deve focar na expansão do acervo, transformação digital, ampliação do acesso e no fortalecimento do projeto artístico e cultural.
A indicação de Flávia é resultado de um processo de sucessão que durou dois anos e envolveu duas consultorias: a L.E.K, que ajudou na reforma do estatuto social do museu no ano passado, redefinindo as atribuições dos órgãos de gestão, prazos dos mandatos e fluxos decisórios; e a Egon Zehnder, que liderou o processo de seleção dos candidatos, avaliando mais de 50 perfis internos e externos.
Heitor – um sócio sênior da McKinsey, onde trabalha há mais de 30 anos – vai assumir a presidência do conselho. O vice-presidente do conselho será Marcelo Hallack, um dos fundadores da Prisma Capital e que faz parte do MASP desde 2016, quando entrou no grupo de Jovens Patronos. Ele está no conselho desde 2021.
Os outros indicados para o conselho são Fabio Coelho, o presidente do Google Brasil, e Fabio Magalhães, um ex-curador-chefe do MASP que foi Secretário de Cultura da cidade de São Paulo. Os dois já faziam parte do comitê executivo, que toca a operação do museu no dia a dia.
O MASP também decidiu dar o título de presidente de honra a Alfredo Setubal, o CEO da Itaúsa que presidiu o conselho nos últimos 10 anos, “em reconhecimento à sua contribuição para o fortalecimento e projeção institucional do MASP.”

Flavia fez carreira no mundo corporativo, mas também tem uma bagagem importante no mundo das artes.
Ela começou sua carreira na McKinsey, onde trabalhou de 1989 até 2003, tendo sido a primeira mulher brasileira a se tornar sócia da consultoria. Na sequência, trabalhou até 2009 na Morro Vermelho, a holding da família dona da Camargo Corrêa.
Mais recentemente passou 12 anos na Península, a holding de investimentos de Abílio Diniz, de onde saiu há dois anos.
No mundo das artes, foi diretora da Fundação Bienal, onde ainda faz parte do conselho, e presidiu o conselho deliberativo do Instituto Tomie Ohtake entre 2021 e 2023. No MASP, Flávia é diretora estatutária há três anos, e assumiu a vice-presidência do comitê executivo no ano passado.
Ela também faz parte dos conselhos da Ultrapar, Rede Américas, Iguatemi e Natura&Co.
A nova presidente deve dar continuidade ao trabalho feito por Alfredo, que numa parceria longeva com Heitor empreendeu o turnaround que mudou o MASP de patamar. Em 2014, quando este grupo assumiu a instituição, o museu estava praticamente quebrado, com dívidas de R$ 75 milhões e sem condições de pagar o salário dos funcionários.

De lá para cá, o museu levantou cerca de R$ 1,5 bilhão em doações e criou uma reserva de caixa de R$ 35 milhões. Captou ainda R$ 275 milhões para construir um prédio anexo, o Edifício Pietro Maria Bardi, inaugurado no ano passado.
Um dos desafios de Flávia será lidar com a baixa acessibilidade do museu, cuja entrada custa R$ 85 (sem contar as taxas de reserva online) e que oferece apenas um dia de gratuidade.











