A oferta de € 10 bilhões do Uber pela Delivery Hero – a empresa de delivery alemã que atua em 65 países – não deve ser suficiente para fechar o negócio.
À medida que investidores se concentram em teses de AI e deixam o setor de entregas exposto a um movimento de consolidação, o Uber deve enfrentar a concorrência da DoorDash, que também negocia com a Delivery Hero, segundo o Financial Times.
Desde que a oferta do Uber de € 33 por ação da Delivery Hero ficou pública no sábado, o papel da startup subiu 15% em Frankfurt a € 38,75, elevando o valor de mercado da empresa para € 11,42 bilhões.

No entanto, alguns acionistas da empresa querem pelo menos € 40 por ação, segundo o FT.
A investida do Uber pela Delivery Hero não surpreende, já que a gigante americana tem buscado expandir seu negócio de entregas na Europa e se tornou a maior acionista da empresa alemã nas últimas semanas, com 19,5% do capital e outros 5,6% em opções.
O momento também parece propício. Em um mundo que só pensa em AI, os apps de delivery caíram na lista de prioridade dos investidores globais, e as empresas de menor porte têm tido dificuldades para se manter e dar o próximo salto esperado para o setor, com veículos autônomos barateando as operações.
Mas o Uber não foi o único a pensar nesta estratégia. A DoorDash, a líder em entregas nos EUA, também tem buscado oportunidades para aumentar sua capilaridade.
Além de ter comprado a finlandesa Wolt em 2022 por US$ 3,5 bilhões e a britânica Deliveroo no ano passado por US$ 3,9 bilhões, a empresa está no páreo pela Delivery Hero.
A DoorDash estaria interessada principalmente nos negócios da concorrente na Turquia e no Oriente Médio, mas não descarta uma oferta por toda a operação, disse o FT.
Na ponta vendedora, a Prosus – a dona do iFood – terá um papel determinante nas negociações. O veículo de investimentos da Naspers chegou a ser o maior acionista da Delivery Hero, mas foi obrigado por reguladores europeus a vender parte das ações após fechar a compra da holandesa Just Eat Takeaway por € 4,1 bilhões no fim do ano passado.
Ainda assim, a Prosus é a segunda maior acionista da Delivery Hero, com 16,8% do capital.
Outro player interessado é a Aspex Management, uma gestora sediada em Hong Kong que detém 14,5% da empresa.
Foi depois de uma queixa da Aspex ao board da Delivery Hero – que atravessa um momento operacional ruim e chegou a perder 70% do valor de mercado após a pandemia – que a empresa demitiu o CEO Niklas Ostberg e passou a analisar ofertas por seus ativos.
Fundada em 2011, a Delivery Hero controla 11 marcas, como Glovo e Foodpanda, em quatro continentes.











