A Light acaba de anunciar que concluiu a primeira fase de seu aumento de capital levantando R$ 1,24 bilhão dos R$ 1,5 bi almejados – cumprindo a última condição que faltava para que a distribuidora de energia possa sair de sua recuperação judicial.

O plano de RJ aprovado pelos credores exigia que a Light captasse pelo menos R$ 1 bilhão no aumento de capital privado. Dada as condições de mercado, havia certo ceticismo entre os investidores se a companhia seria capaz de atingir esse montante. 

alexandre nogueira

“Um aumento de capital privado demanda um esforço grande da companhia junto da sua base acionária. Uma adesão de 85% já na primeira rodada, como a que a Light teve, é quase sem precedentes,” disse uma fonte envolvida na operação. “É muito diferente do que estamos acostumados a ver.”

Do valor total, cerca de R$ 870 milhões vieram dos três acionistas de referência da companhia: o BTG Pactual, que tem 15% do capital, e os investidores Ronaldo Cezar Coelho e Beto Sicupira, com 20% e 10%, respectivamente.

O restante foi captado no free-float, que é composto principalmente por fundos long only locais e investidores de varejo. 

Agora, na fase de sobras, a companhia vai tentar captar os R$ 260 milhões restantes, elevando o total para R$ 1,5 bi. 

O aumento de capital saiu a R$ 6,29 por ação, mas como ele garantiu dois bônus de subscrição para cada ação subscrita – e esse bônus permite comprar uma nova ação ao preço simbólico de R$ 0,01 – o preço efetivo pago foi de R$ 2,10/ação, um desconto de cerca de 20% em relação ao preço de tela.

O aumento de capital também viabiliza a conversão de R$ 2,2 bilhões em dívidas da companhia em ações – que estava sujeita ao sucesso da captação. 

A combinação desses recursos vai reduzir a dívida líquida da Light de R$ 9 bilhões para menos de R$ 6 bilhões, com a alavancagem caindo para menos de 3x EBITDA – abaixo da média das distribuidoras listadas, que tem operado com alavancagens de entre 3x e 3,5x. 

O CEO Alexandre Nogueira disse ao Brazil Journal que com os ajustes que a empresa está fazendo na operação e a entrada em vigor do novo contrato de concessão, a expectativa é que esse número cai ainda mais, chegando a menos de 2x EBITDA.

“Esse balanço mais desalavancado é uma condição fundamental para que a Light possa fazer seu plano de investimento de R$ 10 bi nos próximos anos,” disse ele.

Segundo o CEO, o aumento de capital – combinado com o novo contrato de concessão – deixa a Light numa posição muito confortável para os próximos anos, mas ainda há alguns desafios no curto prazo.

“No âmbito regulatório, o maior desafio é a regulamentação do nosso investimento anual e do nível de perdas, sobretudo em relação às áreas de risco,” disse ele. A expectativa é que a regulação desses temas saia ainda este ano ou no máximo no início do ano que vem, antes da próxima revisão tarifária da Light, que acontece em março de 2027.

“Mas só isso não é suficiente. Tem uma trajetória de transformação e disciplina que estamos construindo nos últimos três anos e que vamos continuar perseguindo.”