A AXIA Energia anunciou um acordo para vender suas participações minoritárias de 49% em quatro empresas de transmissão no País ao Grupo Energía Bogotá (GEB) por R$ 451,5 milhões.

A transação com os colombianos, que já eram sócios nos ativos com 51% do capital, evidencia tanto o apetite destes por crescer no Brasil quanto a estratégia do CEO da AXIA, Ivan Monteiro, de priorizar M&As “dentro de casa,” uma fonte próxima às negociações disse ao Brazil Journal.

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Como herança de seus tempos de estatal, a AXIA, a antiga Eletrobras, tem investimentos em dezenas de ativos por meio de sociedades de propósito específico, as “SPEs” – empresas em que diversos parceiros locais e estrangeiros detêm a maior parte do capital.

No passado, o uso dessas SPEs permitiu à companhia expandir seus negócios sem se submeter a burocracias impostas às estatais pela Lei de Licitações – mas deu origem a arranjos de governança por vezes complexos para a gestão das operações.

(As SPEs também eram um instrumento útil para nomeações políticas – no auge da Eletrobras, elas eram mais de 100, cada uma com sua própria diretoria e conselho).

Depois de privatizada, a AXIA passou a negociar M&As de compra, troca ou venda de suas fatias nesses ativos, de forma a assumir o controle de alguns e sair totalmente de outros. 

As quatro SPEs vendidas ao GEB operam linhas de transmissão somando 1.086 km de extensão em Goiás, Minas Gerais, Espírito Santo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo.

“Não são operações muito grandes nem para o GEB nem para a AXIA (dado o porte das empresas). Mas imagina o tempo e energia que se gastava para discutir e coordenar decisões entre os sócios,” disse a fonte. 

“Fazia sentido para os dois: para um ter 100%, e para o outro sair. E o Brasil é um dos focos do GEB.” 

Listado na bolsa da Colômbia, o Grupo Energía Bogotá tem operações de transmissão, distribuição e comercialização de energia e gás, com presença também no Peru e Guatemala.

A receita líquida estimada para 2027 das concessões adquiridas da AXIA é de R$ 218 milhões, com EBITDA de R$ 176 milhões. Elas carregam uma dívida líquida de R$ 414 milhões e têm prazos de concessão vencendo entre 2039 e 2040. 

“São ativos que já estão construídos e têm ao redor de 15 anos em operação. Estão em um ‘voo de cruzeiro’, aí era só acertar o preço,” disse a fonte. 

Para a AXIA, a transação é positiva tanto pelos valores envolvidos quanto pelo sentido estratégico, disse o analista de utilities de um grande banco.

“É uma venda tranquila, que simplifica [a estrutura corporativa da AXIA] e levanta recursos.”

A One Partners assessorou os colombianos. 

A Orbiz Capital assessorou a AXIA.

Em uma transação com racional similar anunciada em março, a AXIA aceitou receber R$ 1,17 bilhão da ISA Energia por uma troca de participações em ativos de transmissão.

Antes, a AXIA também realizou trocas de ativos com a Neoenergia e a Copel, além de ter vendido toda sua fatia na EMAE e parte de suas ações na ISA Energia.

Os colombianos do GEB também têm se movimentado nos M&As. Eles estrearam no Brasil em 2015 justamente com a compra da participação nos ativos envolvidos na transação de hoje – que na época pertenciam a Furnas, a maior das antigas subsidiárias da Eletrobras, depois incorporada pela AXIA.

Mais tarde, o GEB se juntou à espanhola Red Eléctrica para adquirir a Argo Energia, a transmissora do Pátria Investimentos. 

Agora, o grupo negocia uma fusão de seus ativos de transmissão no Brasil com as operações da Verene, uma concessionária do setor controlada pelos canadenses da CDPQ, segundo fontes. 

Se concluída com sucesso, a operação colocaria o GEB e o CDPQ entre os maiores grupos de transmissão de energia do Brasil. O maior, de longe, é a própria AXIA.