A TIM Brasil e o PicPay acabam de anunciar uma parceria para conectar suas bases de clientes e oferecer vantagens e novos serviços a eles.
O acordo conecta os 60 milhões clientes da TIM aos 67 milhões do PicPay; as empresas não abriram o overlap entre as bases.
A parceria não envolve troca de participação acionária. Na prática, as empresas vão integrar seus produtos – com oferta de serviços da TIM dentro do app do PicPay e produtos financeiros sendo distribuídos pela operadora.

A aposta é que a combinação de dados e frequência de uso aumente a assertividade na oferta dos produtos – especialmente no crédito.
Com isso, as empresas querem criar benefícios para estimular a integração da base de clientes – algo que deve ser anunciado no segundo semestre.
Alberto Griselli, o CEO da TIM, disse ao Brazil Journal que a operadora quer transformar sua base numa “plataforma de clientes” capaz de distribuir serviços além da conectividade, aumentando o tíquete médio e reduzindo o churn.
Segundo Griselli, cerca de 30% dos usuários da TIM já compraram algum produto adicional da operadora, que tem parcerias com empresas como o Cartão de TODOS (saúde), Thopen (energia) e Descomplica (educação).
“Banking e telefonia são dois serviços essenciais, presentes todos os meses na vida do cliente,” disse o CEO da TIM. “Isso cria uma base muito forte para aumentar o engajamento e a fidelidade.”
O PicPay tem apostado alto em parcerias. De outubro para cá, o banco dos Batista fechou acordos com a Rappi e a Ademicon para explorar as verticais de delivery e consórcios.
Além deles, o banco digital tem parcerias com a CVC, ClickBus e várias outras marcas dentro do PicPay Shop, seu marketplace.
O CEO do PicPay, Eduardo Chedid, disse que a TIM é uma das parcerias com maior potencial dentro da plataforma, e que a parceria deve reduzir o custo de aquisição de clientes.
“O mundo de telecom traz recorrência, e recorrência aumenta retenção,” disse Chedid.

A parceria com o PicPay é a segunda tentativa da TIM com uma fintech. No ano passado, a operadora encerrou uma relação conturbada de quase quatro anos com o C6, do qual chegou a ser acionista.
A companhia controlada pela Telecom Italia decidiu sair do negócio e recebeu R$ 520 milhões pela fatia que tinha no banco – o percentual não foi divulgado na época.
A TIM é a única das três grandes operadoras no Brasil que não aposta em uma vertical financeira própria. Segundo Griselli, essa estratégia não vai mudar.
“Cada um é bom naquilo que faz. Em vez de estender a marca para áreas onde não temos a mesma competência, é melhor se associar a quem já opera bem naquele setor,” disse.
Os papéis da TIM sobem 38% nos últimos 12 meses. A operadora vale R$ 61,6 bilhões na Bolsa.
Já a ação do PicPay cai 38% desde o IPO em janeiro. A empresa vale US$ 1,54 bilhão.











