A vó Sônia acaba de vender seu maior bolo.

A Casa de Bolos, a rede de franquias de bolos caseiros fundada pela família de Sônia Ramos em Ribeirão Preto, acaba de ser vendida para a AB Mauri, a subsidiária brasileira da Associated British Foods (ABF), uma multinacional que fatura cerca de £ 20 bilhões/ano. 

A ABF – dona de marcas como os fermentos Fleischmann, Mauri, Twinings e Ovomaltine – pagou cerca de R$ 200 milhões pela empresa, que tem mais de 600 lojas em 250 cidades no Brasil e em Portugal e fatura cerca de R$ 700 milhões, pessoas a par da transação disseram ao Brazil Journal.

O negócio da Casa de Bolos começou em 2010, quando os três filhos de Sônia Ramos (Fabrício, Daniel e Rafael) passaram a vender os bolos feitos pela matriarca para complementar a renda. Um ano depois, o negócio escalou, e a família abriu o modelo de franquias. 

Com a transação, a ABF passará a atuar pela primeira vez no canal de franquias – uma forma de aumentar o contato com o consumidor final. Hoje, os principais clientes da companhia são B2B.

A negociação levou quase dois anos, e a própria matriz inglesa participou diretamente do negócio.

Segundo uma fonte envolvida na transação, a maior dificuldade foi convencer a ABF de que fazia sentido para uma empresa tradicionalmente industrial comprar uma rede de varejo.

O argumento que venceu foi uma particularidade brasileira: enquanto em muitos mercados bolo é um produto ligado a celebrações e aniversários, aqui ele virou consumo cotidiano.

“Ele vai no café da manhã, depois do almoço e na reunião do escritório. A ABF vê um potencial para a Casa de Bolos ser uma das maiores franqueadoras do Brasil,” disse a fonte.

Antes do negócio, a Casa de Bolos estimava que abriria 100 lojas neste ano – um número que pode aumentar, dependendo do apetite da ABF. 

A transação também pode resolver um gargalo operacional da Casa de Bolos. Apesar da escala da rede, a franqueadora abastece apenas de 35% a 40% das lojas, segundo fontes próximas à transação. O restante acaba sendo comprado regionalmente pelos próprios franqueados.

É aí que entra a ABF: com uma presença nacional, a companhia pode dar à rede uma capacidade de abastecimento que a Casa de Bolos nunca teve sozinha, além de trazer ganhos de eficiência e apoiar a expansão.

“Mas a ideia não é industrializar a produção. O principal diferencial da Casa de Bolos é o bolo caseiro e seguirá sendo,” disse a fonte. “Não à toa a família continuará no comando do negócio como executivos.”

A BM Partners foi a assessora financeira da Casa de Bolos. A ABF não teve assessores.