A chinesa Aier Eye Hospital Group está próxima de comprar uma fatia relevante da Opty, a plataforma de clínicas oftalmológicas controlada pelo Patria.

Um anúncio é iminente. 

A Aier vai pagar cerca de US$ 120 milhões por aproximadamente 35% da companhia, e a assinatura do acordo deve ocorrer nos próximos dias, uma fonte próxima às negociações disse ao Brazil Journal.

A transação avalia a Opty em cerca de 11 vezes EBITDA e representa aproximadamente 2,5 vezes o valor investido pelo Patria quando entrou no negócio, no fim de 2017.

A maior parte dos recursos – cerca de US$ 90 milhões – será destinada ao caixa da empresa para financiar sua expansão. A parcela restante permitirá ao Patria monetizar parte do investimento.

As conversas começaram há cerca de um ano e envolveram também dois grupos europeus. No fim, a Opty decidiu fechar com a Aier.

Listada na bolsa de Shenzhen, a Aier é uma das maiores empresas de saúde ocular do mundo. A companhia encerrou o ano passado com receita de US$ 3,1 bilhões e lucro líquido de US$ 453 milhões.

Sua rede soma 764 hospitais e centros especializados distribuídos entre China, Europa, Sudeste Asiático, Hong Kong e Estados Unidos. 

A companhia vale cerca de US$ 11 bilhões na bolsa; a ação acumula queda de 32% nos últimos doze meses.

A aquisição da Opty marca a entrada da Aier no mercado brasileiro em escala, e representa uma aposta em um dos maiores mercados de oftalmologia do mundo.

A Opty foi construída pelo Patria por meio de uma estratégia de roll-up – a consolidação de clínicas e hospitais oftalmológicos independentes.

Desde o investimento inicial da gestora, a companhia realizou cerca de 15 aquisições e reuniu mais de 80 unidades de atendimento sob diferentes marcas regionais.

A Opty faturou aproximadamente R$ 1,2 bilhão em 2025 e vem crescendo cerca de 15% ao ano, segundo uma pessoa familiarizada com a operação.

Diferentemente de outras consolidações no setor de saúde, a Opty preservou as marcas locais e manteve os médicos fundadores como sócios relevantes das operações adquiridas.

Os médicos permanecerão como acionistas após a transação e continuarão desempenhando papel relevante na governança e na operação da companhia.

O Patria seguirá como controlador, com cerca de 50% das ações. Os médicos detêm aproximadamente 15% da empresa.

A companhia continuará sendo liderada pelo CEO Nelson Pestana, sem mudanças previstas na estrutura executiva.