Um consórcio com três das principais empresas de telecom da França – a Bouygues, a Free-iliad e a Orange – está perto de comprar a SFR, a operadora da Altice no país, por € 20,3 bilhões.

Depois de Patrick Drahi, o empresário franco-israelense que controla a Altice, haver rejeitado uma proposta de € 17 bilhões do mesmo consórcio em outubro, as empresas anunciaram que entraram em tratativas exclusivas em torno da nova proposta e terão até 15 de maio para finalizar o deal

Se concluída, a operação irá consolidar o setor de telefonia na França, com três dos quatro maiores players fatiando o espólio da SFR, a No. 2.

A Bouygues – hoje a terceira maior do setor – levará 42% dos ativos da SFR, incluindo o negócio B2B. A Free-iliad – hoje a No. 4 – ficará com 31%, e a líder Orange, com 27%.

Em operação desde 1987, a SFR tem mais de 20 milhões de clientes. O M&A reforça uma tendência do setor na Europa, como a recente fusão da Vodafone e da Three no Reino Unido, à medida que as empresas buscam alternativas para bancar seus investimentos em rede.

Resta saber se os reguladores franceses concordam com a tese.

Depois da venda de sua joia da coroa, Drahi ainda manterá o controle da empresa de fibra ótica XP Fibre, que também deve ser vendida – e, principalmente, se livrará de parte importante da alavancagem que vem sufocando seus negócios nos últimos anos.

Fundada em 2001, a Altice cresceu comprando operações de TV a cabo e telefonia móvel na Europa, Israel e Estados Unidos, arrematando a SFR em 2014 e chegando a fazer ofertas pela Time Warner e pela própria Bouygues em 2015.

A estratégia de Drahi – batizada pelo próprio de “engenharia de telecomunicações” – consistia em comprar empresas subvalorizadas do setor e baixar seus custos de operação com tecnologia avançada, reduzindo os preços para o consumidor final e aumentando a base de clientes.

Em 2019, o empresário também adquiriu a casa de leilões Sotheby’s por US$ 3,7 bilhões. Era a cereja do bolo.

No entanto, a expansão agressiva do empresário foi feita por meio de empréstimos com juros baixos à época. Malheureusement, a alta das taxas no pós-pandemia inviabilizou tudo.

A partir de 2023, com € 50 bilhões em dívidas e sofrendo acusações de corrupção, Drahi começou a se reunir com os credores para negociar o passivo e colocar a maior parte de seus ativos à venda.