A Kaszek está investindo na startup israelense Wonderful, numa extensão da rodada Série B que avaliou a companhia fundada há apenas um ano em US$ 2 bilhões.

A gestora brasileira está investindo US$ 15 milhões, que se somam aos US$ 150 milhões que a Wonderful captou com gestoras como a Insight Partners, Index Ventures e Bessemer Venture Partners.

A entrada da Kaszek no cap table é estratégica. A Wonderful – que hoje opera em diversos países da Europa e Oriente Médio com uma solução de agentes de AI para grandes corporações – está entrando na América Latina, com a contratação de um time local e a abertura de um escritório em São Paulo.

A Kaszek está ajudando neste processo. Foi ela que conectou a startup israelense com o general manager da operação, Elder Jascolka, e está fazendo apresentações para potenciais clientes. 

Bar Winkler, o CEO e co-fundador da Wonderful, disse que considera o Brasil um dos mercados mais interessantes para a startup por duas razões. 

“A primeira é que é um mercado gigantesco. A segunda é que há uma abertura muito grande, entre as empresas enterprise e os consumidores, para a aplicação de inteligência artificial,” ele disse ao Brazil Journal.

“Há um senso de abertura para a AI que eu não vi em nenhum outro mercado em que atuamos. Na Europa, por exemplo, as empresas estão muito focadas na questão da regulamentação. Já as empresas brasileiras parecem mais focadas no impacto nos negócios e na experiência dos clientes.”

O plano é contratar um time de 50 pessoas no Brasil, principalmente engenheiros de software, e a ambição é que o País responda por uma “parcela significativa” da receita no curto a médio prazo. 

A Wonderful não abre sua receita atual, mas o fundador disse que em breve ela deve se tornar uma das empresas a chegar mais rápido em US$ 100 milhões de top line, já que o plano é atingir esse patamar em cinco trimestres. 

O modelo da Wonderful é um mix de tecnologia e consultoria. A startup aloca um time de engenheiros de dados e especialistas em implementação de AI dentro de seus clientes – que ajudam em todas as integrações necessárias com sua plataforma e na definição da estratégia. 

Esse time é composto por profissionais técnicos de tecnologia e por ex-consultores e ex-product managers – “pessoas que têm a habilidade de compilar os desafios técnicos numa história de negócios e ajudar a fazer as coisas acontecerem,” nas palavras de Bar. 

A startup começou atendendo empresas de Israel, mas hoje já está em diversos países da Europa, incluindo Suíça, Itália, França e Grécia, e na Ásia, onde tem escritórios em países como China e Japão. 

Bar – que vive em Tel Aviv, um dos principais hubs tecnológicos do mundo – fundou a Wonderful depois de criar e vender outra startup antes, a Approve.com. Ele e seu co-fundador, Roey Lalazar, começaram a trabalhar na Wonderful no final de 2024, depois que a OpenAI lançou o GPT-4.

“Esse modelo foi o primeiro que permitiu ter densidade e baixa latência juntos, o que tornou possível a criação de agentes de voz. O problema da voz é que ela precisa ter tanto inteligência quanto latência em nível humano. Você não pode esperar três, quatro segundos por uma resposta,” disse ele.

Para a Kaszek, o investimento na Wonderful inaugura uma nova tese de investimentos. 

A gestora, que tem cerca de US$ 1 bilhão em ativos sob gestão, vinha investindo em dois perfis de empresas: companhias latinoamericas com ambição de crescer apenas na região ou companhias latinoamericanas com ambições globais.

“Agora, vamos começar essa estratégia de ajudar empresas de fora que querem entrar na região,” disse Santiago Fossati, um sócio da Kaszek.

A Wonderful inaugura essa tese, e a ideia é investir em duas a três empresas com este perfil por ano. 

Santiago disse que o plano é alocar nessa estratégia de 10% a 20% do fundo de growth de US$ 435 milhões, o Kaszek Opportunities 3 – com cheques de US$ 15 milhões a US$ 25 milhões por startup.