A Aura Minerals já vale mais na Nasdaq do que gigantes da siderurgia, como a Ternium, Gerdau, CSN e Usiminas — um reflexo do momento distinto dos dois setores e da alta brutal da mineradora de ouro nos últimos 12 meses.

A constatação foi feita pelo analista Leonardo Correa, do BTG, que tem recomendação de ‘compra’ para a empresa, com preço alvo de US$ 122, um upside potencial de cerca de 15% sobre o preço de tela.

Das siderúrgicas, o único ‘buy’ do BTG é a Ternium, com as outras três em recomendação ‘neutra’.

A mineradora de Paulo Brito já vale US$ 9 bilhões na Bolsa, mais do que os US$ 8,5 bilhões da Ternium, os US$ 8 bi da Gerdau, os US$ 1,8 bi da CSN e os US$ 1,7 bi da Usiminas.

A Aura valorizou impressionantes 91% desde o início deste ano e 386% nos últimos doze meses, levando muitos a acreditar que o ciclo de alta já se exauriu.

“A realidade é que o valuation da Aura parece caro em virtualmente qualquer métrica de curto prazo,” escreveu Correa. “Considerando os números de 2026, vemos a ação negociando a 8,1x EBITDA, com um free cash flow de 3%. Mesmo um dividend yield de 5-6% não é mais o que já foi quando estava em high-single digits.

Ainda assim, diz o BTG, ainda há um crescimento significativo pela frente, com a produção da Aura devendo atingir cerca de 600 mil onças até 2030, comparado com as 368 mil onças este ano.

Correa diz ainda que não se pode descartar novos M&As no médio prazo, o que poderia levar a empresa a atingir mais rapidamente sua ambição de longo prazo, de se tornar uma produtora de 1 milhão de onças.

“A perspectiva direcional para a empresa permanece construtiva, apesar da valorização mais elevada no curto prazo. Nesse contexto, acreditamos ser razoável assumir um múltiplo P/NAV de 1,1x em nosso modelo.”

Correa disse ainda que quase um ano depois da Aura se listar na Nasdaq, ela já entregou boa parte das opcionalidades que ele havia listado na época da oferta — mas novas opcionalidades surgiram.

“Primeiro, esperamos que a Aura seja incluída em índices relevantes no curto e médio prazo, particularmente o GDX, o que deve aumentar ainda mais a liquidez e visibilidade,” disse o analista. 

“Além disso, ainda vemos potencial de aumento de volume em MSG, onde atualmente projetamos 70–80 mil onças por ano, frente a um potencial mais próximo de 80–90 mil onças, assim como em Borborema. Também vemos potencial adicional no desenvolvimento subterrâneo em Almas (ainda não totalmente precificado) e em novas atividades de M&A, que esperamos que continuem sendo uma importante via de crescimento.”