No UberX, a água sumiu faz tempo – mas a Uber está disposta a dar até champanhe a seus clientes premium.
A empresa anunciou hoje a compra da Blacklane, uma plataforma alemã de transporte executivo com presença em mais de 500 cidades e 60 países.
O valor do negócio não foi revelado, mas a Blacklane havia sido avaliada em cerca de US$ 550 milhões numa rodada em 2024, quando a Tasaru, uma gestora do fundo soberano da Arábia Saudita, aportou US$ 60 milhões na operação.
A ação da Uber subiu 1% com a notícia.
A Blacklane surgiu em 2011 com o foco de atender executivos no dia a dia e em viagens corporativas. Em vez de abrir sua plataforma para qualquer motorista, a companhia alemã só trabalha com empresas de chauffeurs de alto padrão.
Além disso, a Blacklane opera de uma maneira distinta do core da Uber: corridas pré-agendadas, motoristas profissionais e frota padronizada.

Entre as regras que a companhia impõe estão carros premium (como Mercedes e BMWs) e com cerca de dois anos de uso, além de uma vestimenta mais rigorosa para os motoristas.
Esta é a segunda grande aposta que a companhia faz no mercado de luxo em um curto espaço de tempo.
No início do mês, a Uber lançou o Elite, uma versão mais sofisticada do seu tradicional negócio – e bem similar à Blacklane.
O serviço, que começou a operar em Los Angeles e San Francisco e deve ser lançado em breve em Nova York, inclui recepção dentro do terminal de aeroportos, com o motorista esperando o passageiro na área de bagagens; amenities como água e carregadores; e a possibilidade de pedidos personalizados, como bebidas específicas ou até champagne.
Assim como na Blacklane, as corridas podem ser agendadas com antecedência mínima de 1 hora até 90 dias antes. Detalhe: por enquanto, só é possível utilizar o serviço ao receber um convite da empresa.
(Calma: ainda não há previsão para a estreia dessas categorias no Brasil.)
Essa investida nos produtos premium faz parte de um movimento que a Uber já vem sinalizando há algum tempo: enquanto os produtos mais baratos, como o UberX e o Uber Moto, ajudam na ampliação da base de usuários, os de alto padrão aumentam a margem.
No ano passado, as categorias premium da Uber (como o Comfort, SUV e Black) representaram US$ 10 bilhões em reservas brutas anualizadas, segundo a Bloomberg – um crescimento de 35% em relação a 2024.
Ainda assim, esse valor representou pouco mais de 5% do total de reservas brutas registradas pela companhia no ano passado.
No call do terceiro tri, o CEO Dara Khosrowshahi disse que os produtos premium estão financiando o futuro da companhia, assim como os veículos autônomos.
“Usamos essas margens para financiar nossas growth bets,” disse o CEO.
Outras empresas também estão fazendo esse movimento de premiunização. No fim do ano passado, a Lyft comprou a TBR Global Chauffeuring por US$ 110 milhões e expandiu sua categoria luxo para 120 países.
A ação da Uber recua 4% nos últimos doze meses. A empresa vale US$ 142 bilhões na NYSE.











