A Renner acaba de reportar um primeiro trimestre com rentabilidade acima do que o mercado esperava, mas com vendas afetadas por causas não recorrentes.
A varejista teve uma alta de 3,3% na receita líquida consolidada – que contempla varejo e a Realize, seu braço financeiro – chegando a R$ 3,4 bilhões, em linha com o consenso.
O same-store sales (SSS) do vestuário, no entanto, veio um pouco abaixo do que parte do mercado esperava, com uma alta 3,7%. A XP tinha 4,5%; o Santander, 3,7%.

O CEO Fábio Faccio disse ao Brazil Journal que o número foi impactado por uma transferência planejada de estoques do centro de distribuição do Rio de Janeiro para o de Cabreúva, concluída no final de fevereiro.
Segundo ele, essa mudança impactou 1 ponto nas vendas totais em janeiro e fevereiro. Sem esse efeito, segundo ele, o SSS do varejo teria sido de aproximadamente 5,5% no consolidado (que veio em 3,2%), e o do vestuário, 4,7%.
“Isso deixaria os números acima do esperado pelo mercado,” disse.
O destaque do tri ficou por conta da margem bruta do varejo, que avançou 1,6 ponto para 56,7% — um nível recorde para um primeiro tri. Na categoria de vestuário, a margem chegou a 58,0%, expansão de 1,9 ponto.
Segundo Faccio, a expansão de margem não foi só por causa do aumento de preços, mas pelo modelo de execução das novas coleções de moda da Renner.
O novo mecanismo é baseado num algoritmo que aprende qual produto performa melhor em qual loja, refinando a alocação e reduzindo a necessidade de promoções. O estoque de itens com mais de 16 semanas caiu 15% no tri, enquanto o estoque total recuou apenas 1%.
“Toda a capacidade que a gente tem de produzir durante a estação vem permitindo estoques cada vez mais assertivos e vendidos a preço cheio,” disse Faccio.
O EBITDA ajustado chegou a R$ 610 milhões, um crescimento de 4,3%, com margem estável em 21,2%.
O lucro líquido, por sua vez, atingiu R$ 257 milhões, uma alta de 16% e um recorde para um primeiro tri. O bottom line foi beneficiado por créditos fiscais e uma alíquota efetiva menor de imposto de renda.
Em bases comparáveis – ajustando também os não recorrentes do primeiro tri do ano passado, que incluíam R$ 65 milhões de impacto contábil da Resolução 4.966 na Realize – o lucro cresceu 19%.
A geração de caixa livre foi de R$ 258 milhões no trimestre — mais que o triplo do registrado no mesmo período do ano anterior. A companhia encerrou o período com caixa líquido de R$ 1,5 bilhão.
“A gente teve três recordes para um primeiro tri: lucro líquido, margem bruta e geração de caixa,” disse.
Já a Realize entregou resultado de R$ 123 milhões, estável em relação ao mesmo período do ano passado.

Segundo o CFO Daniel Martins, a política de crédito seletiva manteve a inadimplência controlada, mas isso também resultou em uma base de clientes ativos estagnada em 4,7 milhões.
“Já estamos há algum tempo com uma originação mais seletiva e isso é importante, até mesmo vendo que a nossa inadimplência caiu de um ano para o outro,” disse.
Faccio reafirmou o guidance de crescimento de receita de 9% a 13% para o ano, com uma aceleração a partir do terceiro tri.
“A gente imagina um crescimento menor no primeiro semestre e maior no segundo semestre. Estamos confiantes que é bem possível cumprir o guidance,” disse Faccio.
O executivo também confirmou que a Renner deve cumprir a estimativa de inauguração de 50 a 60 lojas neste ano. Até agora, foram oito aberturas.
A ação da Renner sobe 4% nos últimos doze meses, e o papel agora negocia a 9x o lucro para os próximos doze meses.
A empresa vale R$ 15 bilhões na Bolsa.











