O Fleury entregou mais um trimestre praticamente em linha – mas com um lucro acima do esperado devido a efeitos contábeis.
No quarto tri, a holding de laboratórios fez uma receita líquida de R$ 2 bilhões, um crescimento de 12% em relação ao mesmo período do ano anterior.
A receita do ano fechado alcançou os R$ 9 bilhões, uma alta de 8%.
O EBITDA do trimestre subiu 12,5% ano contra ano para R$ 455,9 milhões. No ano, chegou a R$ 2,1 bi, alta de 7,7%.
“Apresentar consistência trimestre após trimestre é uma obsessão para a gestão,” a CEO Jeane Tsutsui disse ao Brazil Journal.

O único número que veio acima das expectativas do sellside foi o lucro líquido. A última linha teve um aumento de 14,7% ano contra ano e chegou a R$ 96,3 milhões.
O CFO José Antonio Flilippo disse que a diferença se explica em grande parte pelo reconhecimento da Lei do Bem, um incentivo fiscal para empresas que investem em inovação.
“Todo ano a gente reconhece a Lei do Bem no quarto trimestre, mas neste ano o efeito foi um pouco maior,” disse o CFO. “Mas também tivemos ganhos de eficiência que ajudaram o lucro.”
As unidades de atendimento foram o grande destaque do tri, com crescimento de 13,4% da receita bruta. No ano, a alta foi de 11,1%.
As regiões que mais cresceram foram São Paulo (excluindo a marca Fleury) com 25,5% e Minas Gerais com 21,3%.
Essas praças foram vitaminadas pelas aquisições recentes feitas pela companhia: a Confiance, na região de Campinas; o Hemolab, em Minas Gerais; o LSL, em Rio Claro; e o Femme, uma rede focada em saúde feminina em São Paulo – esta última ainda aguardando aprovação do CADE.
Já a marca Fleury – que completa 100 anos em 2026 – cresceu 8,6% no trimestre “mesmo já estando consolidada: é uma marca onde a gente faz muita diferenciação e inovação,” disse a CEO.
Já o braço de lab to lab – o B2B herdado do Hermes Pardini – cresceu apenas 4%, segundo Jeane um efeito do fim do contrato que a companhia tinha com o Hospital Sírio Libanês.
A vertical de Novos Elos – que reúne serviços como clínicas de infusão de medicamentos, ortopedia e fertilidade – avançou 24% no tri e faturou R$ 217 milhões.
O crescimento foi impulsionado pela aplicação de medicamentos de alto custo, como o Zolgensma, usado no tratamento da atrofia muscular espinhal.
Apesar do cenário macro ainda incerto – com eleição no Brasil e tensões geopolíticas globais – a companhia não pretende mudar sua estratégia.
“A saúde tende a ser resiliente nesses momentos,” disse Jeane.
Para 2026, o foco continuará sendo crescimento orgânico, aquisições oportunísticas e disciplina financeira.
No ano passado, o Fleury converteu praticamente todo o EBITDA em caixa, um resultado que o CFO atribui à gestão rigorosa de capital de giro.
“A gente olha muito de perto as contas a receber, fornecedores e estoques,” disse Filippo.
Com alavancagem em torno de 1x EBITDA, o grupo diz ter espaço para continuar investindo – seja em expansão orgânica ou novas aquisições.
A ação do Fleury sobe 41% nos últimos doze meses. A empresa vale R$ 8,7 bilhões na Bolsa.











