Em 2021, o casal Eduardo Rech e Juliana Klein passou meses fazendo vários testes em casa: com um pequeno mixer, misturavam ingredientes naturais tentando criar a barrinha de proteína perfeita – uma combinação de sabor, saudabilidade e simplicidade.
Cinco anos depois, a barrinha dos dois – batizada de Pinc – já está em mais de 2,5 mil pontos de venda, fatura R$ 21 milhões, e acaba de fechar uma rodada com a Shift Capital, uma das principais gestoras de private equity do Brasil quando o assunto é bens de consumo.

A Shift – que também é investidora de marcas como a Zerezes, Bluefit e The Coffee – comprou uma participação minoritária não revelada na Pinc, que até agora tinha apenas os fundadores como acionistas.
Os recursos da captação serão usados para a construção de uma nova fábrica no interior do Rio Grande Sul.
O investimento vai aumentar a capacidade de produção da Pinc de 350 mil barrinhas por mês para mais de 1 milhão, Eduardo disse ao Brazil Journal. A expectativa é que a nova fábrica comece a funcionar em março do ano que vem.
A expansão de capacidade vai sustentar o crescimento da linha atual de produtos nos próximos anos, bem como a criação de uma nova linha, a Pinc Bar Crispy, que será lançada na feira Naturaltech deste ano, uma barra com textura crocante que também atenderá consumidores que estão em tratamento com GLP-1.
“Hoje temos nossa barrinha tradicional, que tem 50g e 15g de proteína. A base dela é somente frutas, proteínas do ovo e nuts. São barras com 4, 5 ingredientes no máximo e nada de aditivos ou espessantes,” disse Juliana.

Já a nova barrinha terá 32g, “então vai ser uma versão menor, com 10g de proteína e 6g de fibras. Quem está fazendo o tratamento com canetas reduz muito a alimentação e nessa redução precisa muito de proteína e fibra. Proteína para não ter perda de massa muscular e fibra para ter um bom funcionamento do intestino, que é afetado no tratamento.”
A Pinc está tentando cavar seu espaço num mercado onde a competição é brutal – e que é dominado por marcas como a Bold, Nutrata e Integralmédica.
O grande diferencial da Pinc é ela ser uma empresa ‘clean label’ – o nome dado a produtos que levam poucos ingredientes, fáceis de entender e livres de aditivos como corantes, conservantes ou adoçantes sintéticos. O próprio nome da empresa faz referência a isso: Pinc é um acrônimo para ‘poucos ingredientes, nada complicado’.
Outro diferencial importante: em vez de basear seu produto em whey protein – um derivado do queijo – como a maioria dos concorrentes, a Pinc fez seu produto à base de albumina, um derivado do ovo.
“O consumo de queijo não está aumentando na mesma velocidade que o whey,” disse Murilo Barreto, que assessorou a Pinc na rodada. “Dado o crescimento do GLP-1, ele tende a cair. Com isso, os produtos à base de whey devem enfrentar uma pressão inflacionária forte, mas a Pinc está imune a isso.”
Para Juliana, “muitas marcas se vendem como saudáveis mas são cheias de aditivos e de açúcares escondidos. Nosso objetivo é educar o consumidor sobre a importância de ler o rótulo e não olhar só para a proteína. Com isso, vamos conseguir roubar share das outras marcas.”
Há ainda um diferencial de preço. Enquanto o pack de 12 barrinhas da Bold e da Nutrata, por exemplo, custa entre R$ 170 e R$180, um pack da Pinc sai por R$ 143.
Com a nova fábrica, a Pinc espera quase dobrar seu faturamento este ano, chegando a cerca de R$ 40 milhões. Em cinco anos, a meta é atingir um top line de R$ 250 milhões.
O número é ambicioso. Hoje, o mercado total de barrinhas proteicas movimenta R$ 800 milhões por ano e vem crescendo a uma taxa média anual de 15%.
Em termos de distribuição, a grande aposta é o varejo alimentar. Cerca de 20% das vendas da Pinc vêm do digital, 40% de redes especializadas, focadas em produtos saudáveis e para a academia, e 40% do varejo alimentar. Mas os fundadores dizem que têm visto uma demanda muito grande de supermercados tradicionais por produtos ligados à saudabilidade.
“Visitamos muitos varejistas e temos visto que eles estão preocupados com as mudanças de hábitos de consumo. Produtos como bebidas alcóolicas e massas têm sofrido uma queda relevante nas vendas, e vemos esse movimento no varejo de expandir as gôndolas com produtos saudáveis,” disse Juliana. “O Assaí está criando uma área de saudáveis e tem muitos supermercados pequenos no interior do Rio Grande do Sul que estão abrindo esse espaço também.”
A CAPMA Advisory assessorou a Pinc, que trabalhou com o Teixeira Freire Advogados.
O assessor jurídico da Shift foi o BVZ.











