A saída de Guilherme Lago como CFO do Nubank não caiu bem no sellside. O Bank of America rebaixou hoje o banco para ‘venda’, enquanto o Santander retirou o Nubank de sua lista de top picks.
No BofA, o analista Mario Pierry disse que a saída de Lago foi uma “surpresa negativa”, apesar da chegada de um CFO forte.
“Na nossa opinião, ele era um dos executivos mais importantes da empresa, supervisionando o IPO e ajudando a moldar a disciplina financeira do Nu durante um período de rápido crescimento e aumento da lucratividade,” escreveu o analista. “Ele também era o principal executivo voltado para o mercado e uma figura central na comunicação com os acionistas.”
Pierry notou que Rob Livingston, que vai substituir Lago, tem uma vasta experiência em serviços financeiros. Ainda assim, “o momento da transição adiciona incerteza, especialmente enquanto o Nu atravessa uma fase mais desafiadora para crédito no Brasil e busca expansão no México, Colômbia e Estados Unidos.”
O BofA notou ainda que a saída de Lago vem depois de outras mudanças importantes no C-Level da companhia nos últimos dois anos – uma rotatividade que está se tornando difícil de ignorar.
Além de Lago, deixaram a companhia Youssef Lahrech, presidente e COO; Jag Duggal, o chief product officer; Vitor Olivier, o chief technology officer; e Ravi Prakash, o chief credit officer.
“Na nossa visão, essas saídas aumentam a incerteza em torno da execução e da profundidade da equipe de gestão,” escreveu o analista.
O banco disse que continua reconhecendo a força da marca do Nubank, sua grande base de clientes, o modelo de aquisição de baixo custo e o potencial de crescimento no longo prazo. Mas agora a relação risco-retorno piorou.
“A combinação de mais uma saída inesperada de um executivo sênior, deterioração dos indicadores de qualidade de ativos, pressão sobre a margem financeira ajustada ao risco (NIM) e menor visibilidade dos lucros torna o Nubank menos atraente dentro do nosso universo de cobertura.”
O BofA reduziu seu preço-alvo para a ação de US$ 16 para US$ 10, usando como base um múltiplo alvo de 13x lucro, em comparação aos 19x de antes. O papel negocia hoje a cerca de US$ 12, caindo 8%, com o Nubank valendo US$ 63 bilhões na Bolsa.
No Santander, o analista Henrique Navarro também disse que a saída de Lago passa uma mensagem negativa.
Num comentário enviado à clientes, Navarro disse que optou por não mudar a recomendação e preço-alvo ainda porque isso seria muito oportunístico – “mas figurar numa lista de top picks não dá.”
“Temos argumentado de forma consistente que, em um ambiente de crédito desafiador, a credibilidade da gestão e a visibilidade fornecida ao mercado são fatores críticos. Lago era o principal executivo de relacionamento com investidores do Nubank e uma figura central na comunicação com os acionistas. Ele teve papel fundamental em reforçar a mensagem da companhia em torno da disciplina financeira, da aderência aos seus modelos e frameworks de risco de crédito e da esperada normalização dos NIMs ajustados ao risco e dos índices de inadimplência,” escreveu o analista.
“Em um momento em que os investidores estão cada vez mais atentos às tendências de qualidade dos ativos, a saída do executivo mais diretamente associado a essa narrativa reduz a visibilidade sobre a evolução desses indicadores e pode enfraquecer a confiança do mercado.”
No comentário, o analista do Santander disse ainda que conversou com o Nubank e que o banco confirmou que, além do CFO global, contratará também um CFO focado especificamente no Brasil. O banco reiterou ainda que tudo que Lago falou no primeiro trimestre, sobre o Nubank estar confortável com o nível atual de risco de crédito, continua válido.
O Bank of America foi o primeiro dentre os 20 bancos que cobrem o Nubank a colocar uma recomendação de ‘venda’. Todos os restantes têm recomendação de ‘compra’ para o papel.











