Argentina, Chile, Bolívia, Equador, Peru – e agora Colômbia.
Na disputa mais acirrada da história das eleições colombianas, a direita levou mais uma na América do Sul.
O advogado e empresário Abelardo de la Espriella, de 47 anos, assumirá a presidência no dia 7 de agosto, prometendo “mão de ferro” contra o crime organizado e uma gestão pró-mercado na economia.
A sua vantagem no segundo turno contra o candidato governista foi de apenas 1%, evidenciando a divisão política que vem sendo uma marca na América do Sul. A diferença foi de pouco mais de 250 mil votos, de um total de quase 26 milhões.
Ele derrotou o senador Iván Cepeda, de 63 anos, apoiado pelo atual presidente, Gustavo Petro – o primeiro esquerdista puro-sangue a governar o país, eleito em 2022, e que não podia tentar a reeleição, pelas regras colombianas.
Apoiador declarado de Donald Trump, Abelardo – como é conhecido – nunca exerceu cargo público. É um novato na política que liderou o movimento conservador Defensores de la Patria. Como tantos outros populistas latino-americanos, soube atrair os votos da massa de eleitores desiludida com os partidos tradicionais.
Duas das principais referências em sua campanha foram o argentino Javier Milei, na economia, e o salvadorenho Nayib Bukele na segurança pública.
Frequentemente chamado de “o Bukele colombiano”, Abelardo defendeu um combate mais enérgico ao crime organizado, retomando a colaboração com os EUA no enfrentamento ao narcotráfico. Prometeu construir presídios de segurança máxima similares aos de El Salvador. Disse também que abandonará o plano de pacificação e anistia negociado com os grupos paramilitares e os narcotraficantes da FARC iniciado pelo ex-presidente Juan Manuel Santos – e que inclusive lhe ganhou um Nobel da Paz em 2016.
Segundo o jornal espanhol El País, o programa de Abelardo causa preocupações entre juristas e ativistas da segurança pública. Se é verdade que Bukele apresentou resultados no combate ao crime, é verdade também que seu governo não preza pelo respeito aos ritos da Justiça e aos princípios dos direitos humanos.
Frequentemente classificado como de “ultradireita”, Abelardo é na realidade uma grande incógnita. Fez dinheiro como advogado, e como parte de seu trabalho defendeu traficantes e milicianos. Enriqueceu também com uma empresa de comércio online de bebidas e roupas masculinas.
É um típico novo-rico que as elites de Bogotá chamam de corroncho, um adjetivo pejorativo usado para classificar o estilo vulgar de pessoas da costa do Caribe.
Mas o corroncho que ostenta roupas de grife francesas e viveu por muito tempo em Miami acabou atraindo o apoio de conservadores tradicionais. Seu vice é José Manuel Restrepo, um economista respeitado que foi ministro no governo do conservador Iván Duque.
Cepeda, um militante histórico da esquerda e filho de um senador assassinado por grupos paramilitares, prometeu em sua campanha a continuidade – e, nas urnas, uma minoria estreita dos eleitores decidiu que era hora de mudar.
O ex-guerrilheiro Petro fez um governo típico de populistas de esquerda, distribuindo benefícios, elevando gastos públicos e aprofundando o déficit fiscal. Em dezembro, concedeu um aumento de 23% no salário mínimo, totalizando uma alta de 75% em seu mandato.
A pressão inflacionária e a depreciação cambial forçam o Banco Central a manter os juros nas alturas. Atualmente a taxa básica está em 11,25%. A meta de inflação é de 3%, mas o índice gira ao redor de 6%.
Durante os quatro anos de Petro houve tambpém um boom na produção de cocaína. Os narcotraficantes aproveitaram-se do enfraquecimento no combate ao crime para conquistar novos territórios. Expandiram suas atividades para a mineração ilegal e o tráfico de pessoas.
As políticas de Petro serviram para metade da população. A outra metade, que paga a conta e que cansou da tolerância com a criminalidade, decidiu votar na oposição.
Na economia, Abelardo – que se autoproclamou ‘El Tigre’ – tem como inspiração o ‘Leão’ Javier Milei: promete reduzir impostos, dar autonomia plena ao BC e reativar as concessões de reservas de minérios e também de petróleo e gás, incluindo o fracking, que foi banido por Petro.
“O que estamos propondo é uma gestão fiscal responsável e um forte compromisso com o crescimento econômico,” Restrepo disse ao Financial Times antes da votação de domingo. “Isso significa um programa de ajuste fiscal que reduza gradualmente o tamanho do Estado, eliminando gastos desnecessários, desperdício burocrático e despesas políticas motivadas por clientelismo que se expandiram nos últimos anos.”
Nas eleições recentes na América do Sul, o único país onde a esquerda ganhou foi o Uruguai. Toda a costa do Pacífico e os países andinos serão agora governados pela direita.
“O LEÃO E O TIGRE RUGEM NA AMÉRICA LATINA …!!!”, festejou Milei.
“Parabenizo imensamente Abelardo por sua vitória histórica na Colômbia. Hoje a maioria dos colombianos escolheu o caminho da liberdade econômica, da prosperidade, da segurança implacável e de dizer BASTA ao crime organizado transnacional e ao narcotráfico,” disse o presidente argentino. “A liberdade avança em toda a América Latina e já não há volta atrás. VIVA A LIBERDADE CARAJO…!!!











