O BTG Pactual está co-liderando uma rodada de investimento na ADDI, uma fintech colombiana fundada em 2021 por um ex-JP Morgan e que aposta numa estratégia parecida com a do Mercado Livre: um ecossistema que une marketplace com produtos financeiros. 

A rodada, de US$ 85 milhões, foi co-liderada pelo Citius, um fundo americano, e teve a participação do GIC, o fundo soberano de Singapura, e da Monashees, que já eram investidores. 

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O valuation não foi revelado, mas o Brazil Journal apurou que ficou próximo de US$ 1 bilhão. 

A rodada de hoje se soma a outros US$ 255 milhões que a ADDI já havia levantado em duas captações anteriores – com nomes como Andreessen Horowitz, Softbank, Quona Capital e GGV Capital.

A ADDI foi fundada por Santiago Suarez, que trabalhou seis anos no JP Morgan em Nova York e Londres, depois de passar pela McKinsey e um fundo de venture capital. Antes de fundar a ADDI ele também teve uma passagem curta pela fintech Lending Club. 

Seus co-fundadores são Daniel Vallejo, que passou pela McKinsey e pela Southern Cross, a gestora de private equity; e Elmer Ortega, que é o ‘nerd’ do trio e trabalhou a vida inteira com programação no setor financeiro. (Os três são colombianos.)

A ADDI começou como um produto de buy now, pay later, permitindo aos consumidores parcelar as compras com a cobrança de juros dependendo do valor e do número de parcelas. Nos últimos anos, no entanto, a estratégia evoluiu, e hoje tem semelhanças claras com o modelo de negócios do Mercado Livre. 

“Estamos construindo um Mercado Livre ao contrário,” Santiago, o CEO, disse ao Brazil Journal. “Eles começaram com o marketplace e depois foram para produtos financeiros. A gente fez o caminho oposto: começamos com os produtos financeiros e depois fomos entrando no marketplace.”

Depois do buy now pay later, o próximo passo da ADDI será lançar produtos bancários.

A fintech já obteve uma licença para operar como banco na Colômbia e deve lançar sua conta bancária nos próximos meses; na sequência, produtos como cartão de crédito e crédito pessoal. 

A ADDI fez uma receita mensal anualizada (ARR) de US$ 300 milhões em maio, e espera fechar dezembro em US$ 350-400 milhões.

A empresa já opera no breakeven desde 2024 e tem margem bruta de mais de 50%.

A receita hoje é dividida quase meio a meio, com cerca de 60% do faturamento vindo do negócio de fintech, principalmente dos juros cobrados nas operações de BNPL, e os 40% restantes, das taxas pagas pelos merchants.

A ADDI hoje opera apenas na Colômbia. Em 2021, ela chegou a entrar no Brasil com planos agressivos, com o cofundador Daniel Vallejo dizendo ao Brazil Journal na época que esperava que o País se tornasse o maior mercado da empresa no médio prazo. 

Dois anos depois, no entanto, a startup foi embora – segundo Santiago, não pelas dificuldades específicas do mercado brasileiro nem por uma leitura errada sobre o País.

“Existe essa percepção de que o Brasil é tão difícil, de que o Brasil ‘não é para amadores’… Eu ainda preciso achar algum mercado que seja para amadores. Todo mercado é impossível de lidar. As loucuras que temos de lidar na Colômbia são enormes. A América Latina em geral é uma geografia muito difícil,” disse ele.

“O que aconteceu é que muitas empresas, incluindo nós, tinham desenhado um plano de expansão que estava sujeito a levantar bilhões de dólares em equity. Eu amo o Brasil. É um País incrível. Mas essas ideias de grandes expansões internacionais pertenciam a um momento em que o equity era muito mais barato. No momento em que o ambiente de captação mudou, fomos nós que tomamos a decisão de nos tornar lucrativos. Sempre quisemos controlar o nosso próprio destino.”

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Nos próximos anos, o foco da companhia deve continuar sendo a Colômbia, onde a ADDI já é a maior fintech do país e o segundo aplicativo mais baixado – atrás apenas do app do Bancolombia, que tem uma penetração de 40%.

Ainda assim, Santiago não descarta uma nova tentativa de expansão internacional no futuro, incluindo o Brasil.

“Nosso foco no momento é construir uma franquia fantástica na Colômbia, mas se você quer criar uma empresa latinoamericana, você sempre tem que pensar no Brasil. O investimento do BTG também nos dá um ótimo parceiro se decidirmos explorar oportunidades lá,” disse ele. 

Para Gabriela Lima, diretora da área de capital privado do BTG, a ADDI está construindo um negócio que tem condições de se tornar relevante mesmo operando só na Colômbia – já que une elementos de fintech, ecommerce e logística.

Ela dá o exemplo da Kaspi, uma empresa que opera apenas no Cazaquistão e tem um modelo de negócios semelhante ao da ADDI.

A Kaspi fez seu IPO na Bolsa de Londres em 2020 a um valuation de US$ 6 bi; quatro anos depois, listou na Nasdaq, levantando US$ 1 bilhão a um valuation de US$ 17,5 bi. Hoje vale cerca de US$ 16 bi.

“Eles construíram uma empresa listada de dezenas de bilhões de dólares num país que é quase metade do tamanho da Colômbia,” disse Gabriela. “Isso já dá uma dimensão do quão grande é a oportunidade da ADDI.” 

O investimento do BTG foi feito com capital proprietário, por meio de sua estratégia de growth equity, a mesma que investiu na Celcoin e na Conta Azul. O banco já fez sua saída de ambos os investimentos.