Depois de comprar o controle da Brava Energia, a Ecopetrol pretende usar o Brasil como sua principal plataforma de crescimento internacional.

Não é o primeiro negócio da estatal colombiana no País. O grupo tem participação no projeto de Orca, no pré-sal (antes conhecido como Gato do Mato), operado pela Shell, e em onze blocos exploratórios na Bacia de Santos, além de atuar no setor de transmissão de energia por meio da ISA.

“Há quase vinte anos estamos investindo, aprendendo e construindo relacionamentos neste mercado. O que muda agora é a escala da nossa ambição,” Jorge Andrés Martínez, o CEO da Ecopetrol Brasil, disse ao Brazil Journal

A Brava, a segunda maior entre as junior oil nacionais, nasceu de uma fusão entre a 3R Petroleum, criada para comprar ativos da Petrobras, e a Enauta, a antiga Queiroz Galvão E&P.

A empresa produziu 82 mil barris de óleo equivalente por dia no último tri e conta com reservas provadas de 459 milhões boed.

Sua nova dona, a Ecopetrol, extraiu um total de 745 mil boe/dia no primeiro tri, principalmente na Colômbia, mas também em operações espalhadas pelas Américas, incluindo nos EUA.

No apetite pela Brava, pesou principalmente a posição relevante da companhia em ativos terrestres. 

“Durante mais de sete décadas a Ecopetrol desenvolveu na Colômbia competências reconhecidas internacionalmente na gestão de ativos onshore: revitalização de campos maduros, recuperação avançada e maximização do fator de recuperação,” disse Martínez. 

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O objetivo agora é “integrar capacidades” para aumentar a eficiência nos campos da Brava e construir um “porftólio complementar” contando com os demais ativos da Ecopetrol no País.

“A Brava adiciona produção, reservas, infraestrutura e escala operacional. Quando essas peças se unem, deixam de ser projetos independentes e passam a formar uma verdadeira plataforma estratégica. Esse é o conceito central da nossa visão para o Brasil.”

Questionado sobre se haverá uma junção de todas operações locais em uma única companhia, Martínez disse que o desenho adequado para a atuação no Brasil será avaliado à medida que a Ecopetrol avançar nos negócios.

A “prioridade imediata”, segundo ele, é capturar todo o potencial dos ativos que a Brava já possui.

Mas oportunidades de crescimento também serão avaliadas. “O Brasil é um mercado dinâmico, com leilões, ciclos e movimentos que acompanhamos de perto. Sobre o ritmo dos investimentos, ele acompanhará as oportunidades e o retorno que elas oferecem. Investiremos com convicção onde houver valor, e com prudência sempre. O que posso dizer é que a nossa ambição no Brasil é de longo prazo, e isso, por si só, já diz muito sobre a nossa disposição para investir.”

Martínez também disse que a visão da Ecopetrol “é mais ampla do que petróleo e gás,” citando os negócios da ISA – a empresa que controla a ISA Energia Brasil e é sócia da Cemig na TAESA.  As duas empresas estão entre as líderes nacionais em linhas de transmissão.

“Isso demonstra que enxergamos o Brasil como um parceiro estratégico para o desenvolvimento de diferentes negócios ligados à energia,” disse o CEO. 

Ele citou os recursos naturais, segurança jurídica, excelência técnica e o ecossistema industrial local, além do reconhecimento da capacidade da Petrobras, como alguns dos fatores que levaram à decisão de aumentar o foco no País.

“Temos convicção de que estamos construindo algo que vai muito além de um ciclo de investimentos.” 

Para assumir o controle da Brava, a Ecopetrol concluiu na quarta-feira passada uma oferta pública de aquisição por 25% da empresa a R$ 23 por ação, desembolsando um total de R$ 2,67 bilhões. 

Essa era uma condição precedente para o closing da transação privada anunciada antes: a compra de outros 26% da Brava detidos por Jive, Yellowstone e pelo bloco de acionistas Somah Printemps Quantum, por R$ 2,77 bilhões.

Além dos planos para a Brava, Martínez destacou a importância do projeto Orca, no pré-sal da Bacia de Santos. Os colombianos têm 30% do ativo, que deverá estar operacional em 2029, produzindo 120 mil barris por dia.

Em seu último balanço, a Ecopetrol disse que 67% de seus investimentos orgânicos foram na Colômbia e 24% no Brasil, com os EUA e outras geografias somando 9%.

“A Ecopetrol continuará tendo na Colômbia o seu principal mercado e sua maior responsabilidade,” disse Martínez. “Mas as grandes empresas de energia precisam construir plataformas de crescimento além de suas fronteiras. É exatamente isso que estamos fazendo.”