O Bank of America acaba de contratar Gregory Reider para liderar a área de tecnologia e fintech de seu investment bank no Brasil e América Latina – uma aposta de que a vertical vai ganhar representatividade nos negócios do banco nos próximos anos.
Gregory trabalhou quase 10 anos no Warburg Pincus no Brasil, e depois fundou a gestora de venture capital Volpe Capital com André Maciel. Antes, teve uma experiência de cinco anos no IB do Credit Suisse e do Lazard em Nova York, e foi sócio da BR Partners por cerca de dois anos.
Agora, vai assumir a posição que era de Pedro Pereira, que deixou o BofA em março depois de 15 anos para assumir a posição de CFO do iFood.

O novo managing director começa no BofA na segunda-feira, reportando-se a Bruno Saraiva e Hans Lins, os co-heads de IB no Brasil.
Além de conhecer profundamente tecnologia, Gregory “tem relacionamentos muito fortes no setor, que é uma das nossas prioridades para os próximos anos,” Saraiva disse ao Brazil Journal.
Segundo ele, o fee pool do setor de tech vem crescendo de forma consistente, roubando share de outras indústrias no Brasil.
O setor começou a ganhar relevância na Faria Lima por volta de 2017-2019, com os IPOs da Stone, Pagseguro e depois do Nubank, e nos últimos três anos ganhou força com inúmeras transações de M&A.
Para Saraiva, “num cenário de taxa de juros elevada, tech deve continuar ganhando relevância porque as companhias que atraem interesse dos estratégicos globais são as que fundamentalmente crescem mais.”

O setor de tecnologia saiu de 5,5% do fee pool do Brasil em 2021 para 9,1% em 2024 e 18,3% este ano, segundo dados da Dealogic.
Saraiva acredita que nos próximos cinco anos este share pode quase dobrar de novo, para 30%.
“Tem uma safra de companhias no ‘VC track’ – com empreendedores de muita qualidade e moats competitivos – que estão prontas ou quase prontas para um IPO nos Estados Unidos. Nos próximos 12 a 24 meses, vamos ter algumas empresas interessantes buscando esse caminho. Além disso, estamos vendo um interesse crescente de fundos e estratégicos em companhias brasileiras.”
Nos últimos anos, o BofA assessorou o IPO do Picpay, o investimento do Warburg Pincus na Matera, o aporte do General Atlantic na Softplan, além da venda da Conta Azul para a Visma e da Clearsale para Experian.
Nos últimos dois anos, o banco figurou em primeiro lugar no ranking da Dealogic que mede o fee pool do setor de tecnologia no Brasil, à frente de bancos como Citi, Morgan Stanley e Itaú BBA.
Segundo os dados da Dealogic, o BofA tem um share de 21,8% este ano, seguido pelo Citi (19%) e Morgan Stanley (11,1%). No ano passado, seu share foi de 39,3%.











