A crise da Apex Partners mudou o cap table da CVC.

Os fundos ligados à gestora capixaba reduziram sua participação de 12,2% para 7,97% nos últimos dias, abrindo espaço para a Absolute e a Unity Capital. 

A operação foi articulada pela GJP, o veículo de investimento da família Paulus, que tem cerca de 20% da operadora de viagens.

“A Absolute já era investidora da CVC, e a Unity tinha uma pequena participação. Ambas viram uma boa oportunidade de entrada,” disse Gustavo Paulus, o vice-chairman da CVC, disse ao Brazil Journal

Desde o estouro da crise na Apex na semana passada, a ação da CVC mergulhou quase 17%.

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A Apex enfrenta uma crise de liquidez, com um rombo de quase R$ 1 bilhão, depois que vieram a público operações que prometiam aos investidores uma remuneração mínima atrelada ao CDI caso determinados ativos – como as ações da CVC – não performassem. 

A crise levou ao afastamento do fundador Fernando Cinelli e do CFO Eduardo Siqueira, e fez a gestora buscar proteção contra os credores.

Segundo Paulus, a Apex precisou vender parte da posição porque havia operações a termo vencendo, com as ações dadas em garantia. (A gestora chegou a deter cerca de 15% da CVC, mas a posição já havia caído para 12,2% antes das vendas desta semana.)

A Absolute e a Unity – que não tiveram as posições divulgadas – não entraram no acordo de acionistas existente entre a GJP e os fundos da Apex, e permanecem como investidores independentes.

Já os 7,97% que permaneceram com os fundos da Apex continuam vinculados ao acordo com a GJP, que prevê que seus votos sigam a orientação da Mare, o family office da família Paulus.

Apesar da crise que levou ao afastamento de Cinelli, Paulus disse que os fundos da gestora capixaba não pretendem vender o restante da posição.

“Eu até perguntei: ‘Vocês querem vender? Porque eu tenho pessoas que têm interesse em comprar.’ Mas eles disseram que vão manter,” disse.

Pelo acordo de acionistas, a posição está sujeita a um lock-up de dois anos, até maio de 2028. Qualquer venda antes disso precisa ser autorizada pela GJP – como ocorreu na operação desta semana.

Para Paulus, a crise também não mudou a relação da CVC com a Apex.

“Eles tiveram um problema e tomara que resolvam – e eles são acionistas como tantos outros minoritários que temos na base,” disse.

Segundo o vice-chairman, a relação entre os dois grupos vem do fim do ano passado, quando a Apex começou a montar sua posição na CVC.

Naquele momento, disse Paulus, a gestora era vista como um investidor institucional relevante, com sócios conhecidos no mercado. “Nada desabonava a Apex.”

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“Foi uma surpresa para a gente tudo o que aconteceu,” disse.

A Apex aumentou a posição e, em maio, Cinelli foi eleito conselheiro. O acordo entre a GJP e a Apex foi firmado para, segundo Paulus, dar mais estabilidade à governança.

Cinelli acabou participando de apenas duas reuniões do conselho e renunciou no início do mês, logo depois dos problemas da Apex virem a público.

A família Paulus e os executivos da CVC disseram que não tinham conhecimento do modelo de remuneração usado pela Apex. “É uma coisa da gestora deles. Não tem envolvimento nosso,” disse Paulus.

Fábio Mader, o CEO da CVC, disse que a crise teve “zero impacto” sobre a operação, incluindo a relação com funcionários, fornecedores e franqueados. A empresa procurou bancos, credores e seus principais parceiros para explicar a situação.

“Eles compraram via Bolsa. O próprio Cinelli não tinha gestão na companhia, não estava no dia a dia e ficou duas reuniões no conselho,” disse Mader.

A turbulência societária veio justamente na semana em que a CVC publicou os números do segundo tri.

Na comparação anual, as reservas consumidas cresceram 2,3% para R$ 3,9 bilhões, puxadas pelo avanço de 7,2% no Brasil. A receita líquida, no entanto, caiu 6,5% para R$ 320 milhões.

Parte da diferença veio da queda do take rate. Segundo o CEO, três fatores pesaram: um mix maior de B2B, que tem menor rentabilidade; maior participação de passagens aéreas; e uma redução de margem no lazer para manter as viagens acessíveis ao consumidor.

As despesas no Brasil caíram 10,1% e teriam recuado cerca de 20% excluindo-se os custos não recorrentes relacionados às demissões. 

O EBITDA ajustado no Brasil cresceu 4,7%, mesmo com a pressão sobre a receita, com uma margem de 30,6% – a maior já registrada pela operação brasileira em um segundo trimestre.

Na Argentina, que representa 16% das vendas da CVC, as reservas caíram 13,2% e a receita recuou 17,6%, impactadas também pela desvalorização do peso. 

A CVC também voltou a gerar caixa operacional positivo, de R$ 60 milhões.

Para Mader, julho trouxe um primeiro sinal de aceleração: as vendas foram as maiores dos últimos dois anos, enquanto as vendas no conceito mesmas lojas tiveram o melhor desempenho do período.

Agora, a companhia aposta que a tecnologia pode aprofundar os ganhos de eficiência.

Em outubro, a CVC pretende lançar uma nova plataforma que vai integrar lojas, site e aplicativo, num modelo inspirado na chinesa Trip.com. O objetivo é combinar o digital com a rede de 1.600 lojas, fazendo com que mesmo o cliente que compre online tenha um agente de viagens acompanhando sua jornada.