A Ânima Educação reportou um segundo tri com desafios operacionais importantes – com uma alta da evasão no segmento ‘core’ (que reúne os cursos presenciais e híbridos) e especialmente no digital, impactado pelo novo marco regulatório do EAD.
Ainda assim, a dona da Universidade São Judas Tadeu e da Anhembi Morumbi conseguiu compensar essa perda de volume com o aumento do tíquete – que cresceu nos três segmentos –, levando a uma expansão do top line.
A receita líquida do trimestre cresceu 4,4% para R$ 1,05 bilhão, em linha com o consenso mas uma desaceleração em relação ao primeiro tri, quando a receita havia crescido 7,7%.
O crescimento veio basicamente do aumento das mensalidades. O tíquete do segmento ‘core’ cresceu 7,4%; o do digital, 4,2%; e o da Inspirali (a vertical de cursos de medicina), 6,5%.
Já a base de alunos caiu 9,1% para 348 mil, com um aumento na evasão dos alunos no ‘core’, que sofreu uma queda de 4,4% no total de alunos, e no digital, que viu uma queda de 18,1%. Na mão contrária, a Inspirali aumentou sua base em 11%.
A CEO Paula Harraca disse ao Brazil Journal que o aumento da evasão teve a ver com alguns desafios operacionais que a empresa enfrentou no trimestre, “mas que detectamos e já agimos com muita rapidez.”

“Fizemos muitas mudanças simultâneas,” disse a CEO. “Antecipamos todas as adequações para o marco regulatório, com ajustes de sistemas, dos professores moderadores e integração da atuação híbrida. Tudo isso foi acontecendo ao mesmo tempo numa janela curta de tempo, o que foi criando desafios. Havia alunos, por exemplo, que estavam sem professor alocado.”
“Foram erros, mas já conseguimos olhar para os sistemas e fazer os ajustes. Agora estamos muito redondos e operando muito bem no terceiro tri, que deve ter um nível de evasão não muito diferente do que tivemos no mesmo período do ano passado.”
Outro fator que impactou a evasão, segundo a CEO, foi o fato da companhia ter mais calouros na base (um público que evade mais) e estar crescendo na modalidade híbrida, que tem uma evasão maior que o presencial.
No digital, o impacto teve a ver também com o novo marco regulatório do EAD, que proibiu que cursos de saúde, engenharia e pedagogia sejam feitos na modalidade 100% digital. A Ânima não tinha cursos de saúde no digital, mas sofreu na engenharia e pedagogia.
Sobre o digital, a CEO disse que a companhia está focando no reposicionamento dos cursos – buscando uma diferenciação de qualidade para “não ir para esse mar vermelho que o mercado virou.”
“Estamos posicionando o produto numa faixa de preço maior, e para isso estamos fazendo uma melhoria muito grande da qualidade do produto, para o aluno perceber mais valor,” disse ela. “A briga de preço não combina com as nossas marcas.”
No trimestre, a Ânima reportou um EBITDA ajustado de R$ 383 milhões, ligeiramente acima do consenso, e um lucro líquido de R$ 29,1 milhões, ligeiramente abaixo.
A geração de caixa foi de R$ 149 milhões, e a alavancagem fechou em 2,41x EBITDA, em comparação aos 2,39x do tri anterior.
O resultado vem cerca de um mês depois da Ânima anunciar a aquisição da FMU – um movimento que fez o papel derreter, com o mercado criticando o valuation pago (3x o múltiplo da própria empresa na Bolsa) e o aumento da alavancagem. Quando houver o closing da incorporação, a alavancagem deve subir para 2,7x EBITDA.
Desde o anúncio, em 14 de julho, a ação da Ânima acumula uma queda de 27%, com a empresa valendo R$ 820 milhões na Bolsa.
O CFO Átila Simões disse que o mercado exagerou.
“O mercado está muito sensível e acha que temos que tocar um samba de uma nota só, o da desalavancagem. Tudo que foge disso eles não entendem bem. Eles não entenderam o longo prazo e nossa capacidade de destravar valor e gerar sinergias. Agora cabe a nós mostrar que o mercado está errado e que cada centavo que sobe de alavancagem agora vamos devolver com geração de caixa no futuro.”











